Cão dilacera braço de balconista no centro do Rio
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Clarissa Thomé 
Rio, 23 (AE) - O balconista João Batista Lopes, de 40 anos, teve o braço esquerdo dilacerado por um cão ontem (22) à noite, no centro do Rio . Ele foi atacado por um cachorro da raça American Star Forshire, chamado Kimo. O cão e a pit bull Tora fugiram do canil nos fundos de uma pensão, no Centro. O ataque foi interrompido com a chegada de um policial militar, que disparou contra os cães. Há risco de Lopes ter o braço amputado.
Tora, que não participou do ataque, foi atingida por vários tiros e morreu na hora. Uma bala atravessou a perna de Kimo, que será sacrificado.O ataque ocorreu por volta das 22h30 e durou cerca de 20 minutos. Lopes, morador da pensão há um mês, deixou seu quarto para ir ao banheiro, perto do canil, no momento em que os cães se soltaram.
"Ele se assustou e tentou se defender, o que provocou a reação do Kimo", contou o empreiteiro André Gustavo, de 40 anos
que havia acabado de chegar à pensão. "O rapaz ainda conseguiu subir a escada, mas o cachorro não o soltava". Moradores chamaram o tenente do 13.º Batalhão da Polícia Militar (Praça Tiradentes) Gilbert dos Santos, que passava pelo local. Ao subir as escadas, Gilbert se deparou com a cadela, que "latia violentamente", segundo testemunhas, e atirou.
"O policial agiu corretamente para evitar que o massacre ao cidadão continuasse", afirmou o comandante do 13.º BPM, Hélio Luiz Azevedo. "Não dava tempo de perguntar qual dos animais era feroz."Os disparos assustaram Kimo que voltou para o canil.
"Ele tem dois anos e fez como criança: fugiu, fez travessura e voltou para casa", disse o segurança e tatuador Wilson de Souza Thomé, de 36 anos, dono dos cães. Ele contou que alimentou os animais por volta das 22 horas e saiu para trabalhar. "Não sei como eles conseguiram escapar."Thomé foi convocado a levar o cão até a Sociedade União Internacional Protetora dos Animais, onde Kimo ficará sob observação. "Vou sacrificá-lo, nunca quis um cão feroz", afirmou Thomé. Segundo vizinhos, os cães eram mansos e não haviam atacado moradores antes.
Thomé foi indiciado por lesão corporal culposa e negligência no trato de animais, crime que prevê pena de um ano de prisão. O balconista atacado por Kimo passou por cirurgia de seis horas. Ele está internado, em observação, no Centro Cirúrgico do Hospital Souza Aguiar. "Existe o risco de perder o braço, não pela lesão em si, mas pelo processo infeccioso que ele pode desenvolver", afirmou o chefe de cirurgia vascular, médico Rossi Murilo.


