Rio, 08 (AE) - Mais uma criança foi vítima de um cão violento no Rio. Leidiane Silva, de seis anos, teve a orelha e os lábios mordidos por um cão fila quando andava de bicicleta na rua onde mora sua tia, em Curicica, bairro de Jacarepaguá, na zona oeste da cidade. O ataque aconteceu na noite de ontem. Foi o segundo caso em menos de uma semana: no domingo, a menina Jaciara Monteiro Moreira, de cinco anos, foi morta por quatro cães na fazenda onde seus pais trabalhavam, em Petrópolis, na Região Serrana. A polícia local abriu inquérito para apurar a culpa dos donos dos animais no caso. No ano passado, o Ministério da Saúde contabilizou 400 mil ataques de cães em todo o País.
Leidiane Silva foi operada no Hospital Lourenço Jorge para reconstituir a face. Os médicos não descartam o risco de infecção. A menina passava o feriado na casa da tia, Lindaci da Silva, na Rua Badiana, que, por não ser muito movimentada, costuma ser local de brincadeira das crianças da região. O cachorro estava preso na garagem de uma casa da rua, mas conseguiu escapar e atacou a menina. Lindaci da Silva contou que o cão mordeu a garota com tanta força que ela só foi libertada depois que parentes bateram no animal.
Vizinhos contaram que o mesmo cachorro atacou o menino Rodrigo, de nove anos, há cinco meses. Rodrigo teve o rosto ferido e chegou a se mudar do bairro para superar o trauma. Na ocasião, os donos do cão prometeram se desfazer dele, o que não ocorreu. Investigação - O casal Magno e Madeleine Mattar, donos dos quatro cachorros - dois da raça fila brasileiro e dois labradores - que mataram Jaciara Monteiro Moreira vão responder a inquérito aberto pelo delegado da 106ª Delegacia Policial (Itaipava), Carlos Alberto Ramos, que investiga a responsabilidade deles no episódio. Mesmo sabendo que os animais eram violentos (eles já haviam matado o vira-lata de um outro lavrador há um ano e meio), o casal Mattar deu ordem a um funcionário para que os soltasse durante o fim de semana prolongado, quando eles não estariam na fazenda.
Jaciara tinha ido pegar gelo na casa de uma vizinha quando foi surpreendida pelos cachorros. Ela estava acompanhada do irmão, que foi seguido pelos animais mas conseguiu escapar. O pai de Jaciara, Adilson Moreira, pretende deixar o trabalho com medo de novos ataques. Hoje, Moreira ainda não sabia se iria processar os donos da fazenda. No dia seguinte à morte de Jaciara nenhum deles apareceu no local. O casal Mattar não foi encontrado pela reportagem.

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