Cantoterapia promove reequilíbrio emocional
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segunda-feira, 04 de dezembro de 2006
Eduardo Diório<br>Agência Estado 
São Paulo - Entro em transe se canto, desgraça vira encanto, meu coração bate tanto. A letra de Itamar Assumpção, batizada de Quem Canta Seus Males Espanta, interpretada por Zélia Duncan, resume -em poucas palavras - os poderes de transformação que uma simples canção pode fazer na vida do ser humano. Há quem garanta que, ao emitir qualquer tipo de som, a pessoa entra num processo de energização interna, deixando de lado o estresse e as tensões do corpo. E o melhor de tudo: não é preciso ser cantor profissional para soltar a voz.
A primeira forma de expressão da medicina foi a música. Os indivíduos que atuavam como curadores perceberam que, ao cantar ou tocar um instrumento musical para um doente, o paciente relatava alívio de suas dores físicas e emocionais, lembra Mauricio de Freitas, cantor, compositor e terapeuta.
Para quem tem vergonha e não está acostumado a cantarolar durante o banho ou no trânsito, independentemente da idade, há um método chamado de cantoterapia que ajuda os desafinados a colocar o gogó em dia. De acordo com o terapeuta, essa técnica surgiu no final do século 20 com o objetivo de resgatar o poder terapêutico da música, por meio da voz humana. Além de auxiliar na redução do estresse, a cantoterapia promove o reequilíbrio emocional, a expressão da afetividade, além de proporcionar maior desinibição, criatividade e aumentar a alegria de viver.
Conhecido como o garoto propaganda de uma loja de departamentos, Sebastian, cujo nome de batismo é Sebastião Fonseca, de 40 anos, é apaixonado por música. Mesmo sendo ator e bailarino, sua admiração por gêneros musicais distintos vem desde sua infância, quando interpretava grandes compositores da época. Nesta quinta-feira (23), com o lançamento do seu primeiro CD (Melada de Nego), mostra o motivo de tanto carinho por esse tipo de arte. A música tem uma forte influência no meu estado de humor. Ela funciona como um cenário composto de alegrias e tristezas. Dia desses, queria exorcizar os meus demônios. Abri a voz, entoei alguns cantos líricos mais dramáticos e fiquei completamente aliviado, conta o profissional.
A aula de cantoterapia pode ser em grupo ou individual, à capela ou acompanhado de violão, associada a dinâmicas de grupo, práticas corporais, exercícios de massagem e técnica vocal. Nas aulas, são utilizadas canções do folclore brasileiro, mantras, músicas étnicas, MPB, pop e do rock. A música é utilizada para evocar estados emocionais, provocar catarse de emoções reprimidas, criar eventos memoráveis que substituirão memórias negativas do passado, reavaliando experiências difíceis, explica Freitas.


