Cantora mexicana nega corrupção de menores; empresário admite envolvimento com menor
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de março de 2000
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 20 (AE) - Em depoimento ao ministro Néri da Silveira, do Supremo Tribunal Federal (STF), a cantora mexicana Glória de Los Angeles Treviño Ruiz, conhecida como Glória Trevi, negou hoje ter participado de um esquema de corrupção de menores. A acusação é de que as menores eram induzidas a manter relações sexuais com o empresário da cantora, Sérgio Gustavo Andrade Sanches, com a promessa de que fariam carreira artística. Sanches confirmou ter mantido relações sexuais com a menor na época com 14 anos de idade, que era tecladista e corista da banda de Glória Trevi.
Sanches, Glória, e sua secretária, Maria Raquenel Portillo, estão presos na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, aguardando o julgamento pelo STF de um pedido de extradição feito pela Justiça mexicana. Eles também são acusados de rapto. Não há previsão de quando será julgado o pedido de extradição.
Em 1997, aos 15 anos, K.A.G. passou uma temporada na Espanha, onde teve um filho. No depoimento, Sanches não disse se é ou não é o pai da criança.
A cantora atribuiu as acusações de corrupção de menores a uma campanha da TV mexicana Azteca, concorrente da emissora Televisa, com a qual Glória tinha um contrato. Na campanha, a televisão teria contado com a participação de uma ex-mulher de Sanches. Além da perseguição da emissora, Glória também afirma que as acusações tiveram o apoio de políticos mexicanos "inescrupulosos".
A cantora disse que decidiu viajar para o Brasil no final de 1998 porque não aguentava as pressões no México. Ela afirmou que usou o seu próprio passaporte na viagem e que possuía visto para permanecer no País. No final do depoimento, chorando, Glória disse ao ministro Néri da Silveira que confia em Deus.
Esquema - Apesar de confirmar as relações sexuais com a menor K.A.G., o empresário de Glória disse que não participava de um esquema para corromper menores e não violentava mulheres. Sanches também negou a acusação de que ele teria produzido em 1996 um calendário com fotos de menores usando maiôs ou biquínis. Segundo a acusação, esse calendário trazia o telefone das moças para eventuais contatos, o que poderia caracterizar um esquema de prostituição.
Sanches afirmou ser um empresário bem sucedido e que não tem necessidade de se envolver com prostituição. Além de alegar perseguição da TV Asteca, o empresário tentou estabelecer uma conexão com a política mexicana. Ele disse que tem um irmão que é senador no México que também teria sido prejudicado pelas acusações. Conhecida como Mary Boquitas, a secretária Maria Raquenel Portillo também prestou depoimento ao ministro Néri da Silveira. Ela também negou as acusações de que teria participado do esquema para corromper menores.


