Cantora Marisa Gata Mansa morre no Rio
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sábado, 11 de janeiro de 2003
Roberta Pennafort<br> Agência Estado 
Rio - O corpo da cantora Marisa Gata Mansa foi enterrado ontem, no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio, com a presença de parentes e velhos amigos, como o produtor Hermínio Bello de Carvalho e a cantora Zezé Gonzaga. Ela morreu às 20 horas de quinta-feira, aos 69 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), complicações broncorespiratórias e pneumonia.
O pesquisador musical Ricardo Cravo Albim lembrou que Marisa vivia tempos difíceis ultimamente. ''O abandono e a pobreza em que ela morreu persiste como uma chaga dentro do Brasil em relação aos artistas do passado'', disse.
O produtor e compositor Hermínio Bello de Carvalho lembrou que, em seus 50 anos, foi homenageado por Marisa com um show na Lapa, em que ela cantou suas músicas, entre elas ''Cobras e Lagartos'', parceria dele com Suely Costa gravada por Marisa.
Antes, no início dos anos 70, ele participara do disco Viagem. ''Marisa se destacava por sua extrema musicalidade e bom gosto para as letras'', comentou Hermínio. ''O público em sua maioria talvez não conhecesse a grandeza dela.'' O violonista Ruy Pereira, que trabalhava com Marisa e foi seu marido de 1973 a 1984, contou que ela vinha se isolando ultimamente. ''Marisa estava num processo natural de ostracismo pela idade e pelo tipo de trabalho dela. O País vive um eterno carnaval e o que ela fazia era muito intimista'', destacou.
Tristeza - A amiga Eloá Dias contou que Marisa sentia tristeza por não cantar mais e que só não passava por dificuldades financeiras porque os amigos e o filho, o músico Marcelo Mariano, de 35 anos, de seu casamento com o pianista Cesar Camargo Mariano, lhe ajudava. ''Agora, depois de morta, ela é tudo, mas não teve direito nem a uma aposentadoria.'' Eloá disse que a maior alegria da vida de Marisa, ultimamente, era a neta Maria, de 5 anos, filha de Marcelo.


