Cânticos e aplausos marcam enterro de vítimas de chacina
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terça-feira, 06 de agosto de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Sob aplausos e cânticos religiosos foram sepultados no final da manhã de ontem os corpos de Vilma Santos de Oliveira, de 63 anos, Olívia Santos de Oliveira, de 10, e Allial de Oliveira Santos, de 86 anos. As três foram assassinadas na noite de sábado no Jardim Champagnat (zona oeste de Londrina).
Conhecida como Yá Mukumby, Vilma era filha de Allial e avó de Olívia. Ela também era mãe de santo do candomblé, presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial e considerada uma das principais líderes do movimento negro de Londrina.
As mulheres foram mortas a facadas na noite por Diego Ramos Quirino, supostamente durante um surto psicótico. Antes, ele havia matado a própria mãe, Ariadne Benck dos Anjos, de 48 anos.
Entre os presentes o clima era de comoção e incredulidade pela violência com que as mulheres foram mortas. Atuante no movimento negro, Vilma deixou muitos "filhos", como várias pessoas se consideravam. "É uma grande perda para nós. Todos falam dela com muito carinho, ela deixou muita coisa semeada e vai ser difícil encontrarmos uma pessoa com tanta garra para este trabalho", comentou a professora aposentada Amélia Magrinelli, que participou de várias conferências do movimento negro juntamente com Vilma.
A agricultora Joelma Carvalho contou conhecer a mãe de santo há muitos anos, nas conferências de Saúde. Ela também estava chocada com a violência contra a família. "Foi muito brutal. Ela era muito atuante e deve servir de exemplo para todos nós, já que para mim, ninguém vai conseguir substituí-la", destacou.
O jornalista Paulo Pereira ressaltou o grande trabalho feito por Vilma em relação às cotas raciais na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
"A comunidade negra da UEL irá sentir saudades, ela teve forte influência nos direitos dos negros, tanto pessoal quanto profissionalmente. Não só Londrina, mas todos estão chocados com o que aconteceu. Agora precisamos aguardar para ver como a Justiça será aplicada a essa pessoa", disse, se referindo ao agressor.
Membro do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, José Mendes de Sousa afirmou que o movimento negro recebeu um grande golpe. "Perdemos uma pessoa batalhadora, é muito triste. São três gerações de mulheres perdidas de uma nação, já que dona Vilma sucedeu dona Allial e Olívia poderia vir a sucedê-la (no terreiro). Nossa missão é continuar o trabalho feito por ela, fazer um país mais justo e mais tolerante", ressaltou. Para ele, os homicídios são ligados à intolerância religiosa. "Estivemos na casa e não tem nada mais fora do lugar lá, apenas as imagens (religiosas) foram quebradas por ele", contou.
O prefeito Alexandre Kireeff decretou ontem luto oficial por três dias em sinal de pesar pela tragédia.


