Dida Sampaio/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Reta finalIntegrantes do MST das regiões Sul e Sudeste carregam bandeiras do Brasil e do movimento durante a marchaApós dois meses de caminhada e mais de mil quilômetros percorridos, na base de 20 quilômetros por dia, as três colunas que compõem a Marcha dos Sem-Terra, integradas por 2.100 trabalhadores rurais, procedentes de São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Estados do Sul, entram hoje em Brasília. Os cansados participantes da marcha - organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) - vão se juntar aos dez mil sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), estudantes e desempregados, que já estão na cidade para participar de uma megamanifestação para pressionar o governo a agilizar a reforma agrária e protestar contra as mortes no campo. Os organizadores prevêem a participação de 60 mil pessoas.
A manifestação marca o primeiro ano do massacre de Eldorado de Carajás, no Pará, onde 19 sem-terra foram mortos por policiais militares. Passados 12 meses do crime, que teve repercussão internacional, nenhum dos 155 policiais militares acusados da chacina foi julgado. O crime ocorreu na Fazenda Macaxeira, localizada no sul do Pará, estado que registra alguns dos principais conflitos pela obtenção de terra. Ontem, um dia antes das manifestações, o ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann anunciou a compra de quatro fazendas próximas ao local do crime.
Em Brasília, os líderes do MST receberão do governador do Distrito Federal, Cristóvam Buarque (PT), a chave da cidade. Artistas, autoridades, convidados estrangeiros e políticos devem participar dos shows e discursos.
A caminhada pela Esplanada dos Ministérios em direção à Praça dos Três Poderes terminará com um culto ecumênico promovido pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), entidade que reúne igrejas evangélicas, católica e ortodoxa siriana. Em seguida, haverá o grande ato político programado para a frente do Congresso Nacional, com a participação do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva; o ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola; o presidente da CUT, Vicente de Paula, o Vicentinho; o governador do Espírito Santo, Victor Buaiz (PT); e o prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro (PSB).
Amanhã é dia de audiências com autoridades. Estão previstos encontros às 9h30 com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, e às 10 horas com o presidente da Câmara, Michel Temer. A audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Sepúlveda Pertence, está inicialmente prevista para as 11 horas. O principal encontro, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, deverá ocorrer às 17 horas, de acordo com assessores do MST.
Protesto Dezenove entidades de defesa dos direitos humanos promovem hoje, em frente à Embaixada do Brasil em Paris, uma manifestação em memória dos 19 sem-terra mortos em Eldorado de Carajás. O protesto é encabeçado pelo grupo Droit au Logement (Direito à Moradia) e conta com o apoio da Anistia Internacional. ‘‘Podemos colaborar para a situação dos direitos humanos no Brasil se chamarmos a atenção da opinião pública internacional’’, disse Jean-Baptiste Eyraud, presidente do Droit au Logement.

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