São Paulo - O Papa João Paulo II deve anunciar hoje a canonização de Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Também deverá marcar a data e o local da solenidade há muito aguardada, que dará ao Brasil a sua primeira santa.
A reunião do Consistório será a última etapa do processo que se arrasta há quase 37 anos. Nela, o Papa e cardeais do mundo inteiro apreciarão o pedido de canonização de madre Paulina, nascida em 1865 em Trento, no Norte da Itália.
A religiosa se mudou aos 9 anos de idade para a cidade catarinense de Nova Trento, a 86 quilômetros de Florianópolis, onde fundou a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Em 1903, mudou-se para São Paulo, onde morreu em 9 de julho de 1942. Dias depois de sua morte começaram a ser ouvidos comentários sobre seus milagres.
O pedido de canonização, feito em 1965, partiu da congregação fundada pela madre em Nova Trento, cidade que pode ser considerada o templo da quase Santa Paulina. As religiosas do município aguardam ansiosas pelo anúncio e já organizaram duas missas festivas para hoje, às 11h30 e 19h30.
Assim, o primeiro santo do País será uma mulher, ficando ainda os católicos brasileiros na expectativa da posterior canonização do padre Anchieta e de frei Galvão.
Com a comprovação médica de seu segundo milagre – etapa mais difícil de um processo de canonização –, os devotos de madre Paulina aguardam apenas a aprovação dos cardeais de Roma e a bênção do papa João Paulo II.
Milagres - Batizada como Amábile Visintainer, a madre nasceu no interior da Itália, mas veio para o Brasil antes de completar 10 anos, tendo aqui morrido aos 77 anos.
Em 1890, fundou em Santa Catarina a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, irmãs de vida ativa que se dedicam a ajudar os pobres, promovendo ações em hospitais e escolas, sem esquecer as orações.
O reconhecimento da Igreja tem sido comemorado em São Paulo, na sede da congregação, no bairro do Ipiranga, onde madre Paulina morou durante quase 40 anos.
Madre Paulina foi beatificada em 1991, com a comprovação do seu primeiro milagre: a cura da catarinense Eluiza Rosa de Souza que, desenganada pelos médicos, teria melhorado após rezar para a religiosa.
O segundo milagre, que deu início à canonização, ocorreu em Rio Branco, no Acre, e foi comprovado no ano 2000 por uma junta médica. A garota Iza Bruna Vieira de Souza nasceu com um problema no cérebro. A mãe, Mabel Vieira de Souza, orou muito para madre Paulina e a menina, hoje com 10 anos, repentinamente se recuperou.
Irmã Valéria Stahelin, superiora-geral da congregação, entende que o trabalho da entidade foi importante. Argumenta que as congregações européias têm mais recursos para conduzir a postulação – as pesquisas são caras e trabalhosas. A responsável pela postulação da causa de madre Paulina é a irmã Célia B. Cadorin, que se mudou para a Itália para acompanhar o processo.

mockup