Canonização de Champagnat leva milhares de fiéis à Praça de São Pedro
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sábado, 17 de abril de 1999
Por Assimina Vlahou, especial para a AE 
Roma, 18 (AE) - Cerca de 15 mil pessoas lotaram neste domingo (18) a Praça de São Pedro, em Roma, para assistir à cerimônia de canonizacão do padre francês fundador da Ordem dos Maristas, Marcelino José Benito Champagnat.
Outros dois religiosos foram nomeados santos na celebração de hoje pelo papa João Paulo II: o italiano Giovanni Calabria, que fundou a Congregação dos Pobres Servos da Divina Providência, e a irmã Agostina Pietrantoni, enfermeira assassinada por um paciente em 1915.
Durante a solenidade, destacou-se a presença dos grupos maristas provenientes de vários países, o que comprova a forte atuação da ordem pelo mundo - são 5.000 pessoas trabalhando em 75 nações de cinco continentes - e reforça o lema do padre Champagnat: um coração sem fronteiras.
"A cerimônia é o acontecimento do século para nós", comentou o padre José Candido Barros, de 72 anos, de Porto Alegre, um dos 600 brasileiros que estiveram em Roma especialmente para a canonização do padre francês.
"A mensagem do padre Champagnat é muito sentida, porque ele queria um mundo sem fronteiras", afirmou, carregando uma enorme bandeira do Brasil debaixo da chuva que pegou os fiéis de surpresa.
Religiosos e leigos de vários Estados brasileiros - São Paulo, Rio, Acre, Pará e Rio Grande do Sul - animaram a cerimônia com bandeiras verde-amarelas.
Educação - O padre Marcelino Champagnat, morto aos 51 anos de idade em 1840, dedicou sua vida à educação dos jovens, principalmente dos mais pobres e marginalizados, fundando a Ordem dos Maristas em 1817, na cidade de La Valla, na França.
Ele chegou a essa cidade como vice-pároco pouco depois de ser ordenado sacerdote e, lá, descobriu sua vocação para a educação. Ao assistir à agonia de um adolescente, percebeu a carência de formação e de valores religiosos da juventude francesa pouco tempo após a revolução. "Compreendi a urgente necessidade de criar uma sociedade que possa dar às crianças dos povoados, com preço inferior, a boa educação que outras congregações dão às das cidades", chegou a dizer.
Os primeiros irmãos eram jovens camponeses de 15 a 18 anos de idade que Champagnat educou e preparou para que se tornassem educadores e contribuíssem para a formação de uma comunidade de professores e educadores religiosos.
"No Brasil, a Congregação Marista trabalha com jovens, crianças e adultos de todas as faixas de idade e classes sociais", informou o professor Marcos Bittencurt, do Colégio São José, do Rio de Janeiro, que esteve em Roma para a cerimônia.


