Canoas é inaugurada após 11 anos
Alexandre Sanches
De Londrina
Será inaugurado hoje, às 11 horas, o Complexo Canoas, formado pelas usinas hidrelétricas Canoas 1 e Canoas 2, no Rio Paranapanema, entre os municípios de Assis (SP) e Andirá (47 km a leste de Cornélio Procópio). A inauguração será no município de Cândido Mota (SP), na Usina Canoas 1. Juntas, as usinas Canoas 1, com 82,5 megawatts (MW) e Canoas 2, em Andirá, com 72 MW, acrescentam mais 154,5 MW de potência energética na região Sul/Sudeste, que pode reduzir o risco de blecaute, principalmente entre 17 e 20 horas, quando o sistema elétrico é mais requisitado.
Para o evento são esperados o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), o presidente da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), Antônio Ermírio de Moraes, o presidente da Companhia de Geração de Energia Elétrica Paranapanema (CGEEP), Guilherme Cirne de Toledo e o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL).
As obras foram iniciadas em 1992 pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), mas foram paralisadas diversas vezes. Desde o projeto inicial, em 1988, houve revolta e desacordos sobre os alagamentos de terras. O governo do Paraná tentou impedir a construção de nova hidrelétrica na Bacia do Paranapanema, sob o argumento de que a Cesp já havia alagado terras férteis demais no Paraná.
Em 1989 os agricultores se manifestaram, não querendo negociar suas terras. Em janeiro de 1991 foi a vez da população de Andirá se manifestar contra a hidrelétrica, alegando que centenas de propriedades rurais e oito cerâmicas ficariam inviabilizadas. A liberação de alagamento de áreas paranaenses só foi dada em outubro de 1991, em troco dos royalties que o Estado receberia. A Cesp reduziu os 14 mil alqueires que seriam alagados para 1.500.
Desde então, os problemas passaram a ser de ordem financeira, com atraso de pagamento dos salários (outubro de 1993) de funcionários da empreiteira CR Almeida. Em novembro de 1994 os operários paralisaram definitivamente por causa do atraso de dois meses nos salários. Em outubro de 1996, as obras foram retomadas e concluídas pelo consórcio formado entre a Cesp e a CBA, uma das maiores empresas do grupo Votorantin. Este consórcio foi a primeira parceria do setor elétrico paulista com a iniciativa privada.





