A audácia de ter abandonado casamento e família para seguir Lampião fez de Maria Bonita um símbolo de resistência às imposições do mundo masculino. Ainda hoje, a coragem da rainha da Cangaço permanece inspirando outras mulheres sertanejas com tal força que até parece herança genética.
''Ela abandonou o marido e buscou sua liberdade, sacrificando muita coisa que já tinha alcançado para viver uma aventura perigosa, porque os cangaceiros eram caçados por todo o sertão'', fala a atriz Maria José Moura, 26 anos, que há 10 anos é a Maria Bonita oficial das peças encenadas na região entre as divisas de Alagoas, Sergipe, Bahia e Pernambuco. Ela confirma que Maria Bonita hoje é mito e exemplo para as mulheres, sobretudo as nordestinas. ''Eu mesma sinto que carrego um pouco do sangue dela. Não baixo a cabeça para homem, nem em casa nem na rua'', garante a jovem, que começou a interpretar o maior símbolo feminino do sertão quando tinha só 16 anos.
Em Piranhas (AL), município onde o Cangaço também é cultuado, o espírito libertário é muito forte. Da varanda de sua casinha no centro histórico bicentenário, a servidora pública Danúbia Pereira de Souza, 37 anos, observa o tempo passar devagar. ''As mulheres daqui são fortes e isso é muito bom'', atesta.
Na mesma cidade há outra prova do pioneirismo feminino na região. Joseneri Pereira da Silva, 21 anos, é a única mulher em meio a mais de três dezenas de homens que estudam no Conservatório de Música de Piranhas. E não se intimida. ''Aqui todo mundo é igual e não tem diferença por ser homem ou mulher. Somos todos amigos'', afirma. (L.A.)

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