Rio, 22 (AE) - O Canecão, tradicional casa de espetáculos do Rio, publicou nota hoje desmentindo acusação feita pela Procuradoria-Geral da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), de que estaria devendo à instituição mais de R$ 2 milhões em taxa de ocupação de terreno. Inaugurado em 1967, o Canecão ocupa 3,5 mil metros quadrados da área total de 102 mil metros quadrados do campus da UFRJ na Praia Vermelha, zona sul da cidade.
No dia 15 deste mês, o reitor José Henrique Vilhena encaminhou uma notificação à casa exigindo a desocupação do imóvel. Segundo informações da universidade, o contrato de locação do terreno do Canecão expirou em 1996, quando as duas partes não teriam chegado a um acordo para a renovação do documento. Nessa época, o Canecão estaria disposto a pagar R$ 10 mil por mês pela taxa de ocupação que vale, pelos cálculos da UFRJ, até R$ 50 mil.
A direção do Canecão afirma, na nota oficial, que os aluguéis estão sendo depositados em juízo, "no exato valor devido". O sócio da casa de espetáculos, Mário Priolli, informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que já foram depositados cerca de R$ 800 mil. Ele classificou de "absurdo" o valor de R$ 50 mil estipulado pela universidade e afirmou que o contrato de locação, pelo qual a casa deve pagar R$ 9 mil por mês, teria validade até 2001. O Canecão tem shows marcados até março de 2000.
Reintegração - A Procuradoria-Geral da UFRJ afirma que se o imóvel não for desocupado até o fim do mês, a universidade entrará na Justiça com ação de reintegração de posse. O sub-reitor de Patrimônio e Finanças da UFRJ, Maurício Arouca, pretende realizar, na área do Canecão, empreendimentos que possam trazer recursos para a universidade. Pelos cálculos de Arouca, essa iniciativa poderá render até US$ 5 milhões por ano.

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