O secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, sugeriu ontem, em Brasília, que a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, do Ministério da Justiça, ouça também os proprietários de terras invadidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem- Terra (MST). Cândido participou de uma reunião com o secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori.
‘‘Não adianta ouvir somente o governo do Estado e o MST. As instituições de direitos humanos deveriam ouvir também a versão dos produtores que têm seu gado roubado e seu patrimônio depredado’’, disse o secretário. Na reunião com José Gregori, Oliveira apresentou fitas de vídeo, laudos médicos e depoimentos de oficiais de Justiça contestando as denúncias de violência policial durante desocupações de áreas produtivas no Paraná.
O dossiê completo tem mais de 250 páginas. Segundo a Secretaria da Segurança, o documento comprova que as versões divulgadas pelo MST não correspondem ao que de fato aconteceu durante o cumprimento dos mandados judiciais de reintegração de posse. O governo do Estado argumenta que todas as áreas desocupadas têm laudo de produtividade emitido pelo Incra.
Participaram da reunião em Brasília lideranças do MST, representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e dois sem-terra que apresentaram as denúncias de violência policial durante o cumprimento de mandados de reintegração de posse no Noroeste do Estado. De março até agora, 22 propriedades foram desocupadas no Paraná, das quais oito em acordo com os invasores, sem uso de força policial.
Cândido Martins de Oliveira apresentou relatórios de todas as desocupações feitas até o momento. Ele afirmou que os documentos ‘‘atestam que a polícia não agiu com violência’’ e mostrou parecer assinado pelo diretor do Instituto Médico-Legal, Francisco Moraes Silva, ‘‘comprovando que os sem-terra não sofreram agressões’’.
‘‘Ficou claro que a Polícia Militar não praticou nenhuma ação violenta nos processos de reintegração de posse’’, relatou o secretário ao final da reunião, que durou pouco mais de uma hora.
Segundo Oliveira, os mesmos documentos entregues à Secretaria Nacional dos Direitos Humanos estão sendo encaminhados à direção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

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