Candidatos usam pager para 'cola' em vestibular
Agência Globo
Vinte e cinco candidatos ao curso de medicina da Universidade Gama Filho, no Rio, foram presos ontem por participarem de um esquema de cola eletrônica. Os candidatos estavam recebendo as respostas da prova de múltipla escolha através de um pequeno pager (receptor eletrônico de mensagens) dentro de uma borracha.
Segundo Nícia Maria, assessora de comunicação da Fundação Cesgranrio, instituição responsável pelo vestibular da Gama Filho, a fraude foi descoberta a partir de um telefonema anônimo. Recebemos a denúncia e montamos um esquema de segurança durante a prova, com a ajuda do Serviço de Inteligência da Polícia Civil, para poder pegar os envolvidos, disse Nícia.
O gabarito foi passado por antenas de transmissão. O esquema de segurança conseguiu flagrar uma das candidatas que terminou a prova por volta das 11 horas e se dirigiu a um carro, equipado com antenas de transmissão, para passar o gabarito da prova. Para flagrar os candidatos envolvidos, o esquema de segurança esperou que ela passasse as primeiras respostas antes de prendê-la.
Assim que soubemos da fraude, analisamos os dados dos candidatos e descobrimos que cerca de 60 deles haviam sido inscritos, por procuração, por uma pessoa, em Goiânia. Por isso, ficou mais fácil abordar os envolvidos depois da prova, informou Nícia. A mulher que passou as informações foi presa, mas integrantes da quadrilha fugiram de carro. Além dela, outros 25 candidatos foram presos e levados para a 26ª DP.
De acordo com a assessoria de imprensa, muitos dos candidatos envolvidos no esquema são estudantes brasileiros, entre 20 e 25 anos, que faziam o curso de medicina na Universidade del Valle, em Cochabamba, na Bolívia, e pretendiam voltar a estudar no Brasil.
A assessora informou que, como os envolvidos foram identificados, não existe risco de anulação das provas. No total, sete mil candidatos disputaram as vagas da instituição. Três mil e quinhentos brigavam por cem vagas para o curso de medicina. Cada candidato envolvido no esquema de fraude, se aprovado, pagaria R$ 8 mil à quadrilha.





