Rio - Cerca de 100 processos de adoção estão sendo julgados pela 1ª Vara de Infância, da Juventude e do Idoso da Capital, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, e novas famílias já poderão sair neste final de semana com a certidão de nascimento das crianças. A iniciativa, que vai ocorrer todos os anos também na semana que antecede o Natal, tem como objetivo diminuir para menos de seis meses o tempo em que as famílias esperam para receber seus filhos, em definitivo, já com a sentença da adoção.

À frente da ação está o juiz Pedro Henrique Alves, titular da 1ª Vara. "Entendemos que o lugar da criança e do adolescente é no seio da família, de preferência em sua família de origem. Mas se não for possível na sua família de origem, que seja então numa família substituta através da adoção."

O juiz informou que existem, no Cadastro Nacional do Conselho de Justiça (CNJ), cerca de 3 a 4 mil crianças e adolescentes para adoção. Paralelamente, do outro lado, há mais de 30 mil famílias ou pessoas na fila a espera de uma criança. Números tão discrepantes assim revelam uma triste realidade: a maioria das famílias querem crianças pequenas, de preferência ainda bebês, brancas e de olhos azuis.

"As pessoas escolhem um perfil de preferência: em geral querem crianças de pouca idade, ainda bebês, branquinhos e de olhos azuis. E nós não temos estas crianças para serem adotadas. Nós temos hoje, em nossos instituições, crianças lindas, maravilhosas, mas um pouco mais velhas e nem tão branquinhas assim", ressalta.

Para o juiz não há dúvidas: "Se estes 30 mil que estão à espera mudassem um pouco o seu perfil de exigências, aceitassem crianças um pouco mais velhas, grupos de irmãos, crianças com pequenos problemas de saúde, nós não teríamos criança nenhuma acolhida"

No entendimento do juiz, "se pudermos, enquanto seres humanos, fazer um trabalho dedicadas às crianças, estaremos contribuindo para um país melhor. Muitas pessoas ficam frustradas e é muito simplista ficar criticando o judiciário e a demora no processo de adoção, enquanto o problema maior é o fato de que as pessoas esperam uma criança que caiba no seu perfil de exigência e, em última análise, que caiba também em seus sonhos".

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