Jerusalém, 05 (AE-AP) - Ehud Barak tem algo que escapava de candidatos do Partido Trabalhista nas cinco eleições anteriores em Israel - momento.
O moderado desafiante trabalhista de Benjamin Netanyahu nas eleições de 17 de maio está atraindo bases do primeiro-ministro - israelense originárias no Oriente Médio e imigrantes russos - e está lentamente ampliando sua modesta vantagem, disseram hoje pesquisadores.
"Esta é a primeira vez que nesta fase final da campanha existe uma virada em direção aos trabalhistas", disse o pesquisador Hanoch Smith.
Em campanhas anteriores, os candidatos linha-dura do Likud sempre ganhavam terreno nos últimos dias da campanha. Em 1996, o primeiro-ministro Shimon Peres começou com uma vantagem de dois dígitos em meio a ampla simpatia com os trabalhistas em vista do assassinato de Yitzhak Rabin. A vantagem de Peres diminuiu vários pontos uma semana antes da votação, e ele eventualmente perdeu por 1 ponto de diferença para Netanyahu.
Várias semanas atrás, Barak e Netanyahu estavam empatados.
Em quatro pesquisas divulgadas esta semana, Barak tinha uma liderança sobre Netanyahu de algo entre 17 a cinco pontos percentuais. Na última sondagem, publicada hoje, Barak estava na frente de Netanyahu por 46% a 37%, com 17% dos eleitores indecisos. A pesquisa entre 502 votantes tem uma margem de erro de 4.4 por cento.
Uma maior virada tem se tornado aparente entre imigrantes da antiga União Soviética, que perfazerm 14% do eleitorado de 4,28 milhões e provavelmente determinarão a eleição de 1999.
Em 1996, os imigrantes apoiaram Netanyahu na proporção de dois para um.
Quando Barak iniciou sua campanha de 1999, pesquisas indicavam que ele conseguiria apenas um quinto dos votos dos imigrantes. Entretanto, nas últimas três semanas, ele tem feito ganhos e uma pesquisa do Likud publicada na quarta-feira indicou que ele agora tem 36% dos votos dos imigrantes, com uma tendência de aumentar.
Smith disse que esses resultados deveriam preocupar o primeiro-ministro.
"Netanyahu precisa de pelo menos 60% do voto russo. De outra forma, ele está encrencado", afirmou Smith.
Netanyahu convocou inesperadamente hoje uma entrevista coletiva para anunciar novos subsidios governamentais para imigrantes.
Natan Sharansky, líder do partido dos imigrantes Israel BAliya, sentou-se ao lado de Netanyahu na mesa, mas não houve calor entre os antigos amigos. Sharansky, cujo apoio é perseguido tanto por Barak quanto Netanyahu, tem mantido os canais abertos para os dois lados.
O apoio para Netanayahu também parece estar diminuindo entre judeus sefardistas, originários do Oriente Médio, que compõem cerca de 40% da população de Israel e têm votado nos candidatos do Likud numa proporção de 3 para 1.
Uma razão para a mudança é a candidatura de Yitzhak Mordechai, um ex-general sefardista e ex-ministro da Defesa que foi demitido por Netanyahu em fevereiro e agora lidera o Partido Centrista.
No começo de sua campanha para primeiro-ministro, Mordechai tinha cerca de 17% das intenções de voto. Entretanto, em pesquisas mais recentes ele caiu para cerca de 7%, e existe uma crescente pressão sobre Mordechai dos trabalhistas e de seu próprio partido para que ele retire sua candidatura antes de 17 de maio.
Smith disse que Mordechai tem ajudado os tradicionais eleitores do Likud que estão desencantados com Netanyahu fazer o emocionalmente difícil distanciamento de sua ex-casa política.
Antigos eleitores do Likud, que num primeiro momento decidiram apoiar Mordechai mas agora vêem que sua candidatura não tem futuro, estão gradualmente se acostumando com a idéia de votar em Barak. "A maioria das pessoas que estão abandonando Mordechai está indo para o Barak", disse Smith.
Entretanto, os pesquisadores destacaram que a maioria dos eleitores flutuantes é tradicionalmente partidária do Likud e que ainda é muito cedo para dizer quantos deles "irão para casa" no dia da eleição.
Como nas últimas cinco campanhas, "antecipamos uma eleição muito disputada", afirmou.

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