Buenos Aires, 26 (AE) - Uma integração militar sem precedentes entre o Brasil e a Argentina é o que pretende Fernando De La Rúa, o candidato da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso à presidência do país. O candidato, sabatinado pelo Grupo Brasil, associação que reúne 193 empresas brasileiras instaladas na Argentina, sustentou que "é preciso estabelecer uma política militar comum no Mercosul".
Respondendo à uma pergunta da Agência Estado, De la Rúa disse que pretende estimular "a criação de unidades mistas argentino-brasileiras nas forças armadas". Segundo ele, o formato seria similar às unidades mistas existentes há quase uma década entre os exércitos da França e da Alemanha.
A menos de 60 dias das eleições, De la Rúa já está sendo encarado como o futuro presidente: ele possui 43% das intenções de votos, 13 pontos a mais que seu concorrente Eduardo Duhalde, o candidato do governo.
Ainda no âmbito da Defesa, De la Rúa também referiu-se à situação interna da Colômbia: "sobre esse caso temos que dialogar...Não estimulo a intervenção na Colômbia, e sei o problema do Brasil por causa da fronteira que tem com esse país. Mas ao mesmo tempo, temos que evitar o aumento da subversão e do narcotráfico na região".
De La Rúa afirmou que é preciso avançar na criação de uma moeda única do Mercosul. Ele também pediu uma maior institucionalização do bloco.
"Sobre isto, sei que no Brasil pensa-se diferente, pois o Itamaraty não a quer", disse, e afirmou que no momento, "o Mercosul está lento, e isso vai contra os interesses do comércio
que é rápido". O candidato também disse que implementará o ensino obrigatório do português nas escolas argentinas.
O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Sebastião do Rego Barros, sugeriu a De la Rúa que, se for eleito presidente, construa a hidroelétrica de Corpus, no Rio Paraná. Este projeto causou em 1979 a mais grave crise desta metade do século entre o Brasil e a Argentina.
Alegando que Itaipu, situada rio acima, retiraria potência de Corpus, os argentinos conseguiram que o Brasil construísse sua hidroelétrica com menos turbinas. Apesar de ter sido o pivô da crise, Corpus ficou engavetada e nunca foi construída.
Vinte anos depois da crise, o embaixador Rego Barros afirmou a De la Rúa que Corpus seria necessária para as regiões Sul e Sudeste do Brasil, "onde há muita necessidade de energia elétrica. Acho que seria um grande símbolo, que ao final de seu primeiro mandato, pudesse inaugurar Corpus, fornecendo grande parte dessa energia ao Brasil. O projeto é viável econômica e financeiramente, com apoio empresarial. É um projeto necessário para países emergentes como os nossos".

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