Candidato Bush passa por prova de fogo Da correspondente Mônica Yanakiew
Washington, 03 (AE) - O governador do Texas, George Bush, acaba de passar por uma prova de fogo e consolidar a sua posição como um dos homens com mais chances de disputar as eleições presidenciais dos Estados Unidos do ano 2000. Pela primeira vez desde março passado, quando lançou sua campanha, ele aceitou participar de um debate na televisão com os outros cinco candidatos a candidato do Partido Republicano. Mas quem esperava vê-lo cometer uma gafe, ficou decepcionado.
"Eu já sei quem é o lider da Índia", brincou Bush ontem (02) à noite, minutos antes do debate. Há um mês, ele estava totalmente despreparado para enfrentar um jornalista que, no meio de um programa de televisão, decidiu perguntar quem governava a Índia, Taiwan e Paquistão. O filho do ex-presidente George Bush foi obrigado a admitir que não sabia.
Por esta razão, e por ter se recusado a participar de três debates anteriores com os candidatos a candidato do Partido Repúblicano, Bush foi o centro das atenções e das críticas ontem. Participaram do mesmo programa, o senador John McCain, o empresário Steve Forbes, Gary Bauer, Alan Keyes e o senador Orrin Hatch. Durante 90 minutos, eles debateram as reformas tributária e da previdência, o aborto, a Internet e política externa.
Quando perguntaram a Bush se ele teria os conhecimentos de política externa necessários para fazer o mesmo que seu pai (formar uma coalizão de países para lutar contra o Iraque em 1990), ele respondeu que já provou sua capacidade de liderar. Governa o Texas, "o segundo maior estado norte-americano, que se fosse um país independente seria a 11a economia mundial" e tem ótimas relações com seus vizinhos no México.
Como presidente, ele quer acabar com as fábrica de armas do Iraque - só não explicou como fará.
O senador McCain - um ex-capitão da marinha, que foi prisioneiro de guerra durante cinco anos e meio, no Vietnã - foi quem falou com maior segurança de temas de política externa. Ele chamou a atenção para o perigo da intervenção militar da Rússia na Chechenia - uma república russa que luta pela independência.
Apesar de Bush ser o candidato a candidato que mais dinheiro arrecadou para a campanha (US$ 57 milhões), McCain (que tem apenas US$ 9 milhões) é o segundo colocado entre os republicanos e está ganhando terreno. Uma proposta une os dois concorrentes: ambos querem manter o atual presidente do Federal Reserve (banco central americano), Alan Greenspan, no poder. Somente Forbes é contra.
Um dos temas mais debatidos, ontem, foi o sistema de Previdência Social - que por enquanto é superavitário e só entrará em crise, por falta de recursos, daqui a 30 anos. Mesmo assim, as reformas estão sendo discutidas. Bush sugeriu aumentar a idade de aposentadoria no futuro, sem reduzir os benefícios daqueles que irão se aposentar agora.
Forbes - que se apresenta como um empresário contrário à politicagem e burocracia de Washington - aproveitou a chance para criticar Bush. Ele lembrou que os norte-americanos começarão a sentir agora os efeitos de uma reforma previdenciária, aprovada há 16 anos. Na época foi decidido que todos aqueles nascidos depois de 1960 teriam o direito de se aposentar apenas aos 67 anos, e não aos 65.
Mas Bush respondeu a altura: ele levara consigo um artigo, publicado há 22 anos, no qual Forbes diz que é necessário elevar a idade de aposentadoria. Forbes também criticou a proposta de Bush de reduzir os impostos em US$ 483 bilhões em cinco anos, a partir de 2002.
O empresário acha pouco. Segundo ele, os EUA precisam de uma reforma tributária completa.





