Santo André, SP, 10 (AE) - O candidato à reeleição do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SP) Luiz Marinho vem com a proposta mais inovadora de sindicalismo da região. Está apostando num tipo de organização dentro das empresas: os comitês sindicais de base, onde ficarão 90% dos cerca de 200 diretores que serão escolhidos pelos trabalhadores da empresas. Os outros, perto de 10%, comporão a direção-executiva da entidade. Segunda (12) e terça-feira (13), os trabalhadores estarão participando da primeira fase da eleição.
Marinho depositará o voto às 11 horas de segunda-feira na urna da Volkswagen, empresa à qual está vinculado. O mérito do projeto é o de forçar uma representatividade real do dirigente escolhido, uma vez que ele é eleito dentro da fábrica, onde todos conhecem o trabalho dele. Além disso, a criação dos comitês sindicais de base evita centralização excessiva do poder numa cúpula dirigente, distante da base. É uma nova experiência que será tentada pela tendência política Articulação, conhecida por produzir sindicalistas mais moderados, como o presidente da Centra Única dos Trrabalhadores (CUT) e suplente de senador, Vicente Paulo da Silva (PT), o Vicentinho.
Além desse teste de uma nova forma de organização sindical, Marinho tem como projeto para manter empregos no setor automobilístico o de renovação da frota de carros, que começa a ser discutido com montadoras e o governo - proprietários de carros com mais de 15 anos de uso teriam incentivo em dinheiro para adquirir um zero-quilômetro, o que aumentaria a produção.
Mesmo com prestígio, Marinho, que negociou redução de salários na Volkswagen para evitar demissões e o afastamento de 1,5 mil empregados da Ford (que ganhou, com isso, isenção de pagamento de encargos trabalhistas) terá, por causa desses acordos, oposição de chapas apoiadas por outras tendências, mais à esquerda, como o Movimento por uma Tendência Socialista (composto por militantes do PSTU) e a Alternativa Sindical Socialista (ASS).
Sindicatos de metalúrgicos de cidades importantes, como São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), Campinas, no interior de São Paulo, e Santos (SP), dão apoio a essa oposição nascente no ABC, depois de quase duas décadas de hegemonia da Articulação.
A oposição na Volkswagen é liderada pelo metalúrgico Celso Routulo. As bandeiras dele são "o fim da política de parceria entre o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC com as montadoras de veículos" e revisão dos acordos que "trouxeram prejuízos aos trabalhadores", especialmente diante do aumento das taxas de inflação. Também há chapa contra a atual diretoria em outra montadora, a Scania. Nessa primeira etapa do processo eleitoral, estão previstas eleições em 69 fábricas. A segunda etapa vai eleger a direção-executiva do sindicato.

mockup