O advogado Alberto Louvero, defensor do ex-policial militar Marcos Aurélio Dias de Alcântara, condenado na noite de anteontem a 204 anos de prisão pelo envolvimento na Chacina da Candelária, ingressou ontem com uma apelação para tentar anular o julgamento. A Chacina da Candelária, como ficou conhecida internacionalmente o assassinato de oito menores de ruas, aconteceu em julho de 1993, bem próximo Igreja da Candelária, uma das mais tradicionais no Centro do Rio.
O ex-PM foi condenado a 18 anos por cada um dos oito homicídios e a 12 anos por cada uma das cinco tentivas de homicídios. No mesmo dia das mortes, os criminosos ameaçaram matar outros menores. Em decorrência dessas acusações, o ex-militar recebeu menos de 20 anos por cada crime, o que pelo artigo 607 do Código Penal, não permite um novo julgamento. Esta foi a estratégia adotada pelo juiz José Antônio Geraldo, que anunciou a sentença depois da decisão dos sete jurados.
‘‘Existem contradições dos jurados que podem anular o processo’’, afirmou o advogado. Para a assistente de acusação do caso, advogada Cristina Leonardo, a condenação de Alcântara já era esperada. ‘‘Ele havia confessado e, mesmo tendo voltado atrás durante o julgamento, as investigações mostram que o ex-PM participou do crime’’.
Alcântara é o sexto e último dos ex-PMs acusados pela chacina, julgado. No início das investigações, foram apontados oito acusados do crime. Desses, três foram absolvidos, três condenados, um morreu e outro não foi denunciado pelo Ministério Público.

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