Cláudio Renato
Um estudo estatístico realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), divulgado ontem, revela que, este ano, 107.950 pessoas morrerão de câncer e outras 269 mil contrairão a doença no País. O estudo confirma o câncer como a segunda doença que mais mata no Brasil, ficando atrás, apenas, das doenças cardiovasculares. Mostra ainda que, nos últimos oito anos, apesar do avanço da medicina, o número de incidências se mantém relativamente estável.
Os casos de câncer mais frequentes á- de mama, colo do útero, estômago e pulmão áá- deverão, segundo a estimativa, causar 37% das mortes esperadas. Esses mesmos tipos também deverão se refletir no maior número de novos casos (34%). Na estimativa feita para 1997, o Inca calculou que haveria 97.705 óbitos provocados por câncer e 258.335 novos casos no País, mas ainda não pôde confirmar a exatidão das estatísticas, porque os números oficiais de óbitos não foram repassados pelas secretarias municipais e estaduais.
Os últimos dados oficiais de óbitos disponíveis no DataSus (sistema de informações do ministério da Saúde) são de 1995, ano em que morreram 99.058 pessoas de câncer no Brasil. De 90 a 95, segundo os dados oficiais, a doença matou 547.804 pessoas, a maioria com câncer nos pulmões e vias respiratórias (67.223) ou no estômago (59.857).
De acordo com diretor do Inca, Marcos de Moraes, ‘‘o aumento da expectativa de vida provoca também o crescimento do número de pessoas com maior chance de desenvolver um câncer, mas a exposição a fatores de risco, como o consumo de cigarros, é comprovadamente causa importante do aumento do número de casos e mortes’’.
Do total de óbitos estimados, 58.070 são de mulheres e 49.880 de homens. Entre os novos casos, 128.295 são de homens e 140.705 em mulheres. Ou seja: apesar de contrair menos a doença, os homens são os que mais morrem. ‘‘Isso acontece porque os tipos de câncer predominantes nos homens, como os de pulmão, estômago e próstata, evoluem e matam com muito mais facilidade que o câncer de mama ou no colo do útero’’, explicou o coordenador dos programas de controle do câncer do Inca, Evaldo Abreu.
Na estimativa do Inca, são levadas em conta, ainda, diferenças regionais no País. Na região sul, onde é alto o consumo de tabaco, por exemplo, o câncer de pulmão é o primeiro em incidência (14,75% dos casos). Em todo o País, este tipo de câncer é o quarto em incidência (7,43%), abaixo do câncer de mama (12,15%), do colo do útero (8,08%) e do estômago (7,68%).
Já nas regiões norte e nordeste, há a prevalência do câncer de estômago - uma vez que lá se come carne de sol, com pouca ingestão de verduras e má conservação de alimentos - e do colo de útero, típico em mulheres jovens e pobres. De acordo com o Inca, a alimentação inadequada e o tabagismo estão entre os principais fatores de incidências de câncer. O Inca comprovou que o consumo de cigarros é responsável por 90% dos casos de câncer no pulmão, 80% dos de enfisema pulmonar, 25% dos infarto de miocárdio e 40% dos de bronquite crônica e derrame cerebral.

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