A celebridade que atualmente o enfrenta é Hebe Camargo, que passou por cirurgia e quimioterapia para combater um tumor de peritônio, membrana que envolve o abdômen. O vice-presidente José Alencar também luta, bravamente, contra tumores malignos há mais de 10 anos. Só no ano passado ele foi três vezes para a sala de cirurgia por conta de um sarcoma na região abdominal. Recentemente a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também descobriu que tinha a doença, um linfoma, que acomete o sistema linfático e faz com que as células de defesa do organismo humano se multipliquem de maneira desordenada.
Os nomes atribuídos às doenças de cada um deles é variado, mas todos lutam ou lutaram contra um dos mais de 100 tipos de câncer conhecidos da Medicina. A doença é a segunda principal causa de morte entre os brasileiros, perdendo apenas para as cardiovasculares. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que neste ano 489.270 brasileiros devem ter a doença. No Paraná serão 34.420 casos novos.
As três pessoas públicas são exemplos de um novo tempo para a enfermidade que um dia já foi sinônimo de condenação à morte. Cada vez mais as chances de cura, a sobrevida e qualidade de vida de quem tem câncer são maiores principalmente por conta de dois fatores: diagnóstico precoce e evolução das terapias.
Hebe, por exemplo, deixou as férias nos Estados Unidos quando sentiu dores e rapidamente voltou para o Brasil; procurou atendimento médico e descobriu os tumores. O internamento, a cirurgia e as sessões de quimioterapia foram imediatos. A ministra Dilma descobriu o câncer, ainda em seu primeiro estágio, ao fazer um check up de rotina. A cirurgia e o tratamento também foram imediatos. Já Alencar é a prova de que as novas formas de quimioterapia podem possibilitar uma vida próxima à normal e mais longa para quem tem os tumores malignos.
''O tratamento da doença, evolutivamente, tem se mostrado melhor, principalmente pelo avanço da Medicina no foco do diagnóstico, da prevenção e do tratamento'', explica o oncologista Bruno Pozzi, de Londrina. ''Quanto mais precocemente descobrirmos o tumor, maiores as chances de cura'', ele completa.
Uma vez diagnosticado o tumor, Pozzi relata que as formas de tratamento estão em processo de constante evolução, desde a cirurgia, que busca ser menos invasiva, preservando o paciente de grandes mutilações, até a quimioterapia, desenvolvida ao longo do tempo para ser mais individualizada, o que os médicos chamam de terapia-alvo.
''Existem vários dados que nós usamos para orientar o tratamento. Vemos o tipo de célula que desencadeou o câncer, pesquisamos nuances celulares para saber se o indivíduo é sensível ou não a algum hormônio, se as células cancerígenas estão se replicando rapidamente, se estão nos gânglios... Dessa forma, podemos escolher o melhor para a pessoa. Há 20 anos tínhamos apenas um ou dois esquemas de quimioterapia para o câncer de mama. Hoje temos dezenas de escolhas para fazer de acordo com o perfil da paciente'', destaca o oncologista.

Otimismo
Os prognósticos só não são melhores por conta de alguns problemas característicos do Brasil: a dificuldade de acesso aos serviços de saúde e a falta de informação da população. Tanto é que os tipos de câncer que podem ser diagnosticados mais precocemente por meio de exames preventivos, como o de próstata no caso dos homens e o de mama para as mulheres continuam entre os que mais matam. De acordo com o Inca, para cada grupo de 100 mil homens brasileiros 13 morrem por câncer de próstata. No sexo feminino, são 15 mortes por câncer de mama para cada 100 mil mulheres.
Longe de ter o mesmo acesso à informação e atendimento médico imediato das ''celebridades'' citadas no início do texto, o morador do município de Figueira (Norte Pioneiro), Alício Dias Vieira, 67 anos, conta que ouvia falar vagamente do tal do câncer da próstata, mas nunca se preocupou com os exames preventivos. Ele teve sorte quando em uma consulta para se queixar de outros problemas o médico acabou diagnosticando a doença, já em um estágio preocupante. Agora ele passa por sessões de radioterapia, cinco vezes por semana, no Hospital do Câncer de Londrina. ''O tratamento aqui está sendo excelente. Foi Deus quem preparou toda essa estrtura para a gente. Vou ficar bom'', diz ele, cheio de otimismo.

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