São Paulo - Primeiro vem o susto do diagnóstico: câncer de próstata. Depois, o pesadelo com a possibilidade de impotência sexual - a disfunção erétil atinge até 70% dos pacientes com câncer de próstata submetidos à cirurgia de retirada da glândula. Mas um estudo publicado na Revista Européia de Urologia e apresentado no início do mês durante o 10º Congresso Paulista de Urologia, em São Paulo, mostra novidades na recuperação das funções sexuais dos pacientes. Fundamental, alerta o urologista Eduardo Bertero, do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, continua sendo a prevenção.
A próstata, segundo o médico, não tem função na ereção peniana, mas na produção do sêmen. No entanto, a cirurgia para retirada da próstata - uma das possibilidades de tratamento para quem tem o câncer - pode fazer com que a estrutura de alguns nervos na região seja danificada, levando ao risco de perda de ereção. ''É tão sério que muitos homens não desejam ser tratados, se existe a possibilidade de perder a ereção'', alerta o cirurgião canadense Richard Willian Casei.
O médico apresentou a pesquisa denominada Reinvent (Recovery of Erections: Intervention with Vardenafil Early Nightly Therapy). O estudo acompanhou durante nove meses a recuperação das funções sexuais de 445 homens, com idade média de 55 anos, em 87 centros de saúde do mundo, após a cirurgia para retirada do tumor de próstata.
O objetivo do estudo era verificar a ação do medicamento vardenafila (princípio ativo do Levitra) para tratar a disfunção erétil. Foram três as possibilidades avaliadas, na modalidade duplo cego, em que nem o paciente, nem o médico, sabe o que está tomando: uso de placebo, uso do medicamento todos os dias no mesmo horário, e uso do medicamento apenas sob demanda. Os pacientes foram estimulados a buscar atividade sexual pelo menos duas vezes por semana.
As conclusões da pesquisa mostram que o uso de medicamento teve mais benefício que o chamado efeito placebo. O estudo mostrou ainda que melhor que tomar o medicamento todas as noites, era usá-lo apenas quando necessário e sob estímulo sexual. ''Com o uso do medicamento toda noite achávamos que o maior fluxo sanguíneo levaria a mais ereções, mas não foi o caso'', informa Casei.
Em média, apenas 25% dos homens que receberam placebo conseguiram completar o ato sexual, contra 34,5% dos homens que usaram o medicamento diariamente e 46% do grupo que usou o medicamento sob demanda.
Mas, o mais importante, segundo Casei, é voltar à atividade sexual após a cirurgia, e não esperar que a vida sexual se normalize por si só, pois quanto mais tempo se espera, mais o casal se afasta. ''Acreditamos que parte da reabilitação seja através de medicação, mas também com o paciente tentando se estimular para a vida sexual, buscando intimidade, e até aconselhamento terapêutico. O objetivo é manter a qualidade de vida'', afirma.
* A jornalista viajou a São Paulo a convite da Bayer Schering Pharma

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