Câncer de mama pode ter origem genética, diz estudo
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quinta-feira, 13 de outubro de 2005
Folhapress 
São Paulo - Cerca de 10% dos casos de câncer de mama são consequência de erros genéticos, transmitidos de pais para filhos. A estimativa faz parte de um estudo desenvolvido pelo médico Roberto Vieira, chefe do Serviço de Mastologia do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As informações são da Agência Brasil.
Para o mastologista, a descoberta vai permitir alertar pessoas que fazem parte de famílias consideradas de risco. O médico define ''famílias de risco'' como aquelas em que já houve casos de câncer de mama em pelo menos três gerações, em mulheres com menos de 35 anos, em homens ou a associação da doença com o câncer de ovário.
''Essas mulheres já nascem com um erro genético que aumenta em 80% sua predisposição a desenvolver a doença, antes de completarem 80 anos de idade'', disse o autor da pesquisa. O mastologista da Fiocruz explicou também que as mulheres que herdam essa carga genética podem optar por medidas capazes de impedir o aparecimento do câncer de mama.
Uma delas, seria a retirada do tecido mamário para substituí-lo por prótese. Outra opção seria a retirada dos ovários, depois de terem filhos, o que reduz a ação do hormônio estrogênio, responsável pelo desenvolvimento da doença.
O câncer de mama já é considerado o tipo mais frequente entre as mulheres em todo o mundo. No Brasil, a cada hora seis mulheres descobrem que são portadoras da doença.
A recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é que toda mulher deve fazer o exame da mamografia anualmente, a partir dos 40 anos de idade.
De acordo com o mastologista Roberto Vieira, como não há métodos de prevenção, quanto mais cedo a doença for detectada, maiores são as chances do tratamento ter sucesso.
Os indicadores mostram, no entanto, que 25% dos casos da doença são diagnosticados em mulheres antes de completar esta idade. ''Em famílias de risco há uma grande incidência da doença em mulheres jovens. Nesses casos, o ideal é iniciar o exame pelo menos dez anos antes da idade em que foi detectado o último caso na família'', alerta Vieira. Ele destaca que o câncer de mama leva dez anos para se desenvolver.


