Pacientes que sofrem de câncer de mama devem ter acompanhamento nutricional desde o diagnóstico até depois do tratamento, para não correrem o risco de desenvolver outras doenças crônicas, como as cardíacas - essa é uma das conclusões de um projeto de pesquisa desenvolvido na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O mesmo estudo mostra que uma substância chamada betaglucana, presente na aveia, no cogumelo do sol e nas leveduras, pode minimizar os efeitos da quimioterapia.

Quem coordena a pesquisa é a nutricionista Clísia Mara Carreira, professora do departamento de farmácia da UEL. Parte do estudo é sua tese de doutorado. O projeto tem ainda a participação de pesquisadores do Centro de Ciências da Saúde (CCS) e do Laboratório de Genética Toxicológica da UEL, em parceria com a direção clínica do Hospital do Câncer de Londrina (HCL).

A nutricionista constatou que ao longo do tratamento quimioterápico as mulheres passavam a ganhar peso, principalmente gordura abdominal. A maior razão é a ação hormonal, tanto da doença, quanto do medicamento. ''Comparando como elas estavam no início da quimioterapia e o estado nutricional após um ano percebeu-se essa tendência de sobrepeso e obesidade. A doença mexe muito com os hormônios, as mulheres param de menstruar, entram em menopausa precoce e há uma tendência a aumentar a porcentagem de gordura corporal'', avalia. Em 90% dos casos estudados, informa a nutricionista, houve aumento da circunferência abdominal. Houve casos de pacientes que tiveram ganho de peso de 20 quilos em um ano.

O objetivo era estudar a ação da betaglucana em 100 pacientes que passavam por quimioterapia. Metade ingeriu a substância e a outra metade, gelatina. Esta parte da pesquisa foi finalizada com 62 mulheres, com alguns óbitos e desistências, e mesmo com apenas 45 dias de uso da betaglucana a diferença, segundo Clísia, ''foi significativa'' em relação ao perfil de gordura de quem consumiu a substância e quem consumiu a gelatina. ''Nas mulheres que receberam a betaglucana, isso (ganho de peso) foi menos acentuado, elas tiveram melhor resposta nutricional'', ressalta.

Uma das conclusões é que essas pacientes precisam de acompanhamento nutricional desde o diagnóstico. ''Há a tendência a desenvolver síndrome metabólica e isso aumenta o risco cardiovascular e de desenvolver uma série de outras doenças, como diabetes e hipertensão'', aponta. Além do risco de doenças, outra preocupação é com a autoestima dessas mulheres. ''Elas se sentem gordas, inchadas. Têm a imagem corporal afetada'', constata.

A orientação nutricional, aponta Clísia, também pode prevenir erros muito comuns de quem sofre de câncer, como a ingestão excessiva de chás e alimentos que teriam efeito na doença. ''O problema é substituir uma alimentação saudável e equilibrada por crendices e tabus'', alerta.

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