Curitiba- O prefeito em exercício de Curitiba, Beto Richa (PSDB), suspendeu ontem por tempo indeterminado o reajuste das tarifas de ônibus na Capital. Desde domingo os curitibanos estavam pagando R$ 1,90 pelas passagens de ônibus e hoje voltam a pagar R$ 1,65. Segundo Richa, a suspensão do aumento se deu porque ele não conhece as razões do reajuste. O prefeito em exercício pediu à Urbs e à Coordenadoria da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) que apresentem todos os estudos e planilhas que justificam o aumento para depois decidir se volta atrás ou não em sua decisão. A decisão deve provocar correria na compra de vales-transporte durante esta semana.
''Não voltei atrás quanto ao reajuste. Só cancelei até que me convençam que ele é justificado, já que eu só tive conhecimento do aumento no sábado pela imprensa e não vi nenhum estudo. Aconteceu uma falha de comunicação e não técnica'', afirmou Richa. Mesmo se não houver aumento, o prefeito em exercício garantiu que o reajuste salarial dos motoristas e cobradores, assim como a compra de novos ônibus, estão garantidos. Richa ainda deixou claro que se não for possível segurar o reajuste nas passagens do ônibus, ele pode ser menor do que os 15,1% vigentes até ontem.
Porém, para a presidente da Urbs, Yára Eisenbach, não há como voltar aos R$ 1,90. ''Vejo com normalidade a decisão do vice-prefeito. Mas assim que ele tomar conhecimento das planilhas certamente vai mudar sua decisão'', disse. Yára afirma que, apesar do preço da tarifa, o sistema integrado de transporte, que abrange 14 municípios entre Curitiba e região metropolitana, faz com que os usuários economizem. O que mais pesa no aumento da tarifa, segundo a Urbs, são os salários dos motoristas e cobradores (47% do total). Segundo Yára, o reajuste da categoria, que tem data-base em fevereiro, será de 10,21%. O presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores da Grande Curitiba (Sindimoc), Denílson Pires, disse que era esse o valor acertado, mas que ainda não estava nada homologado.
O vereador Adenival Gomes (PT) contestou os cálculos da Urbs, acusando a prefeitura de não divulgar as planilhas e de incluir nas contas um fundo assistencial, que seria ilegal de acordo com a Justiça do Trabalho. Gomes afirma que, com o reajuste, Curitiba passa a ter a tarifa mais cara entre todas as capitais brasileiras. Já a presidente da Urbs argumenta que nominalmente o aumento é alto, porém os 15,1% é um índice mais baixo que as principais cidades do Estado, como Maringá, que subiu 17,85%, e Londrina, que aumentou em 39,13% as tarifas dos ônibus. ''Temos a tarifa mais baixa no Brasil, na verdade, já que uma passagem é possível pegar vários ônibus com o sistema integrado.''
O cancelamento do reajuste deve provocar correria na compra de vales-transportes até sexta-feira. Segundo Yára, do dia 25 até o dia 1º é o período que as empresas compram as passagens para todos os seus funcionários.

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