Cancelada audiência de sem-terra preso por roubo
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terça-feira, 27 de abril de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O juiz de Quedas do Iguaçu, Leonardo Ribas Tavares, cancelou anteontem o interrogatório do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região central do Estado, Eleomar do Nascimento Cezimbra, preso desde o dia 3 de abril. Tavares alegou falta de segurança para a realização da audiência judicial. Recentemente, sem-terra ocuparam as ruas da cidade para pedir a soltura de Cezimbra. Mas anteontem não houve mobilização nos arredores da delegacia. Os protestos ficaram restritos ao Fórum de Quedas do Iguaçu.
''Havia um ambiente de perfeita normalidade para a realização da audiência. Não vejo justificativa para o cancelamento do interrogatório'', informou ontem o padre Jaime Schmitz, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que estava na delegacia para acompanhar a audiência. De acordo com ele, a prisão é uma medida política de perseguição às lideranças do MST da região, um dos principais focos de conflitos pela terra no Paraná. Somente no ano passado, três trabalhadores sem-terra foram assassinados na região.
Cezimbra foi responsabilizado por um furto de carregamento de soja que estava estocado nos silos da Fazenda Araupel. Ele teve a prisão preventiva decretada no dia 27 de agosto do ano passado por suposto furto, formação de quadrilha e corrupção de menores. A CPT acusa outro integrante do MST pelo furto: Adelson Schwalenberguer, que já teria sido expulso do acampamento. Inquérito policial concluiu que Cezimbra tinha conhecimento do furto. ''Ele era o líder do movimento na Fazenda Araupel, onde aconteceu o roubo. Não seria possível que não soubesse o que estava acontecendo no local'', disse o delegado Douglas Possembon Freitas, que conduziu as investigações.
O Ministério Público (MP) estadual ofereceu denúncia. O interrogatório de Cezimbra ficou para 4 de maio.(L.P.)


