Marcos Zanatta
De Maringá
A Viapar, concessionária do lote 2 do Anel de Integração, a pedido dos moradores e da Prefeitura de Floresta (25 km a oeste de Maringá), instalou uma cancela na estrada rural que servia de desvio do pedágio na PR-317. Apenas moradores da região, com veículo emplacado no município ou com máquinas agrícolas, têm a passagem liberada. A cancela fica nos fundos da praça de pedágio e segundo a Viapar o desvio era utilizado por cerca de 500 veículos por dia. Os motoristas que passam regularmente pelo trecho, que liga Maringá a Campo Mourão, estão revoltados.
O motorista Laurindo Bottan, de Araruna, teve que voltar da cancela para a rodovia na semana passada quando tentava desviar do pedágio. ‘‘Fui carregado e paguei a tarifa, mas na volta não queria gastar mais’’, disse. Ele contou que viu na entrada do desvio uma placa informando que a estrada tem trânsito exclusivo de moradores, conforme lei municipal. ‘‘Mas achei que fosse apenas informando e não impedindo o acesso da gente’’, lamentou.
O empresário Cláudio da Silva, que tem uma transportadora em Mandaguari, acha a medida um absurdo. ‘‘Todos os pedágios têm desvios, porque só em Floresta não pode passar por fora?’’, questiona. Um caminhão comum paga entre R$ 3,30 e R$ 4,80 nos pedágios da região. ‘‘O preço de uma refeição’’, compara.
Mas a ‘‘bronca’’ maior, afirma Silva, não é pelo valor, e sim pela falta de manutenção da estrada. ‘‘Estão só pintando as faixas e agora estão até diminuindo o serviço de socorro’’, garante. Ele acha que o ‘‘acordo’’ entre Viapar e prefeitura traz alguma vantagem para o prefeito.
O prefeito Manoel Dirce de Miranda (PSDB) garante que não existe vantagem para ninguém além dos moradores da cidade. ‘‘Primeiro, porque estavam destruindo a estrada e as plantações em volta e depois porque carretas estavam passando dentro da cidade, acabando com o asfalto’’, justifica.
Ele disse que fez um ‘‘convênio’’ com a Viapar para colocar a cancela, depois de confirmar que a placa informando da proibição de tráfego no desvio não era respeitada. ‘‘Além disso existe lei federal que proíbe o desvio de praças de pedágio, e estamos cumprindo a lei’’, lembra Miranda.
A Viapar informou que o convênio atende moradores próximos à estrada. ‘‘Eles alegaram que passava muita gente estranha, causando destruição da estrada, de lavouras e matando animais’’, disse o assessor de imprensa da concessionária, Rogério Recco. O convênio tem prazo de 22 anos e prevê que a Viapar vai cuidar da cancela, impedindo a passagem de veículos de fora.

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