Canavieiros querem solução para excedente de álcool
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segunda-feira, 31 de maio de 1999
Por Jair Aceituno (especial para AE) 
Jaú (SP), 1 (AE) - A compra de álcool carburante para reconstituição dos estoques estratégicos do governo, a adição de ácool ao óleo diesel dos caminhões, o incentivo à produção de carros a álcool e a manutenção da queima e corte manual da cana-de-açúcar foram as principais reivindicações feitas durante uma concentração de aproximadamente 9 mil pessoas, entre usineiros, trabalhadores das usinas e rurais, realizada hoje pela manhã no kartódromo de Jaú.
Participaram manifestantes da própria cidade e das vizinhas São Manuel, Barra Bonita, Bocaina, Brotas, Bariri, Macatuba, Lençóis Paulista e Dois Córregos, que querem uma solução para o setor. Além das entidades representativas do setor, o encontro também reuniu as associações comerciais, clubes de lojistas e autoridades dos municípios canavieiros do centro do estado.
Paulo Brandão, presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Jaú e Região, disse que sem o mercado definido a indústria do setor está partindo para a quebradeira geral e, por isso, decidiram fazer o movimento. "Com dois milhões de litros de álcool sobrando da safra anterior, o preço está aviltado e o litro, que custa R$ 0,26 para produzir e antes da crise era vendido a R$ 0,41, chegou a ser encontrado até a R$ 0,14, o que é um absurdo", disse.
O setor quer que as autoridades tracem uma política de comercialização e utilização do álcool para evitar que toda a estrutura de produção montada durante mais de uma década seja sucateada e grande número de trabalhadores fiquem sem ter o que fazer. Brandão lembra que o álcool é a alternativa energética brasileira e precisa ser preservado porque já provou ser viável. "Mesmo que não seja economicamente vantajoso como os combustíveis de petróleo, que hoje têm os preços internacionais em baixa, o álcool economiza divisas para o País e gera empregos", argumentou.
Vários dos participantes do encontro também pediram ao governo do estado a autorização para continuar queimando a cana antes do corte e a não adoção da colheita mecânica, pois cada colheitadeira substitui 100 trabalhadores.


