Belém, 01 (AE) - Cerca de 350 produtores de cana-de açúcar e funcionários da usina Abraham Lincol, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Medicilândia, no sudoeste do Pará, ocupam desde ontem (30) a agência do Banco do Brasil e a prefeitura do município.
Os produtores exigem do Incra o pagamento de R$ 6 milhões pela safra 1998/99, enquanto os funcionários querem o pagamento de quatro meses de salários atrasados. Hoje eles ameaçavam interromper o tráfego na rodovia Transamazônica e explodir a linha de transmissão de energia elétrica da hidrelétrica de Tucuruí, que abastece 18 municípios num raio de mil quilômetros em linha reta entre os municípios de Pacajá e Santarém.
Além dos R$ 6 milhões, os produtores reivindicam do Incra o pagamento de indenização pelas 180 mil toneladas de cana que estão apodrecendo na área rural de Medicilândia.
A diretora de Conflitos Agrários do Incra em Brasília, Maria de Oliveira, informou que o dinheiro para pagamento dos produtores e funcionários da usina está bloqueado em outros órgãos do governo federal. "Nós estamos lutando para liberar esses recursos não somente para pagar o pessoal da usina, mas todos os compromissos da reforma agrária no País." Ela disse que as manifestações que estão sendo realizadas em Medicilândia são comandadas por radicais, embora reconheça ao caráter justo das reivindicações. "Enquanto não se desbloquear esses recursos não temos como pagar."

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