Belém, 09 (AE) - A sede do Incra em Altamira, no sudoeste do Pará, foi ocupada no final da tarde de hoje por 350 produtores e funcionários da usina Abraham Lincoln, em Medicilândia. Segundo o líder dos manifestantes, o produtor rural João Batista Barbieri, ex-prefeito de Medicilândia, os quatro deputados mantidos como reféns não querem ser liberados, porque estão "solidários à nossa luta".
Barbieri confirmou a liberação da Rodovia Transamazônica e da agência do Banco do Brasil em Medicilândia. E garantiu que a sede do Incra só será desocupada quando a direção do órgão em Brasília tomar uma "providência concreta" para pagamento das dívidas que contraiu junto aos canavieiros, e também dos salários atrasados dos funcionários.
Os deputados José Lima (PMDB), José Geraldo Torres (PT), Cláudio Almeida (PDT) e Pio X (PTB) desmentiram suas assessorias
que informaram no final da tarde, em Belém, que eles haviam sido libertados. "Nós estamos sensibilizados com o problema desse pessoal da usina e não fazemos questão de ser soltos", resumiu José Geraldo. "O meu único problema é a minha agenda em Belém, cheia de compromissos. Mas, de resto, estou solidário ao protesto", emendou José Lima.
Os canavieiros criticaram as declarações feitas em uma emissora de televisão pelo presidente do Incra, Orlando Muniz, que responsabilizou o movimento pela perda de 4 milhões de litros de álcool produzidos pela usina. "Esse homem é um irresponsável. Ele sabe desde dezembro do ano passado que esse álcool estava estocado, mas não saiu porque os produtores não receberam até hoje o pagamento do Incra. Se há algum culpado por isso é o próprio Incra, que reteve todas verbas da usina", afirmou João Batista Barbieri.
Ele anunciou que terça-feira um avião do governo do Pará seguirá para Brasília com líderes do movimento. Lá, eles tentarão negociar a liberação do dinheiro da usina junto ao Ministério de Política Fundiária.

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