Canavieiros mantêm deputados como reféns no Pará
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 08 (AE) - Cerca de 350 produtores de cana de açúcar e funcionários da usina Abraham Lincoln, em Medicilândia, no sudoeste do Pará, mantêm como reféns, desde o final da tarde de hoje, quatro deputados estaduais. Eles se deslocaram de Belém para aquela região na tentativa de liberar a Rodovia Transamazônica, fechada há dez dias.
Os manifestantes dizem que só libertam os deputados quando o Incra, que é o proprietário da usina, liberar o pagamento de R$ 6 milhões para os canavieiros e pagar quatro meses de salários atrasados dos funcionários. Os deputados Cláudio Almeida (PDT), José Geraldo Torres (PT), José Lima (PMDB) e Pio X (PTB) foram cercados pelos manifestantes após descer de um avião do governo do Pará, que também está retido na pista.
Os quatro foram levados para a Transamazônica, onde barracos de madeira foram construídos no meio da rodovia, impedindo a passagem de veículos. A fila de caminhoneiros nos dois sentidos da rodovia passa de 10 quilômetros.
O prefeito de Medicilândia, Francisco Aguiar, decretou estado de calamidade no município e viajou às pressas para Brasília, onde pretende falar com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann.
Pelo telefone, Aguiar disse que a situação "está insustentável" no município. "Falta gás de cozinha, combustível e alimentos".
Cerca de 1.500 aposentados estão impedidos de receber seus proventos na agência do Banco do Brasil, cuja entrada está obstruída por toneladas de cana de açúcar atiradas pelos manifestantes.
Aguiar disse que se não for recebido pelo ministro ou pelo presidente do Incra, Orlando Muniz, irá acampar, sozinho, na porta do Palácio do Planalto, para tentar falar com o presidente Fernando Henrique. E justificou: "Não vou voltar para Medicilândia sem uma resposta. O pessoal iria explodir de vez".


