Belém, 10 (AE) - A sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma (Incra) em Altamira ficará ocupada por "tempo indeterminado". A decisão foi tomada hoje durante assembléia de produtores de cana-de-açúcar e funcionários da usina Abraham Lincoln, em Medicilândia. Eles também resolveram libertar três dos quatro deputados estaduais mantidos como reféns há três dias. O deputado José Lima (PPB), sentiu-se mal efoi liberado ontem à noite.
Os canavieiros reivindicam a liberação de R$ 6 milhões e os funcionários querem o pagamento de quatro meses de salários atrasados. Líderes do protesto ameaçam fechar novamente a rodovia Transamazônica se o governo federal não pagar o que deve.
Em represália às declarações do presidente do Incra, Orlando Muniz, que afirmou sua disposição de não negociar com "radicais e baderneiros" enquanto a sede do órgão estiver ocupada, os manifestantes decidiram não participar de uma reunião com o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, na próxima terça-feira, em Brasília."Radical, baderneiro e também caloteiro é o governo federal, que não paga o que deve e nem cumpre sua palavra", atacou o líder dos produtores de cana, João Batista Barbieri.
deputado José Geraldo (PT) afirmou que se o dinheiro não for liberado com urgência ele teme que ações "isoladas e desesperadoras" prejudiquem todo o povo da região da Transamazônica. O deputado quer discutir com o ministro Jungmann providências para garantir a safra de açúcar e álcool da usina para o ano 2000. "A safra deste ano já está perdida." José Geraldo informou que o governador em exercício do Pará, Hildegardo Nunes (PTB) deverá participar da audiência com Jungmann.
Orlando Muniz disse, em Brasília, que a usina Abraham Lincoln vem dando prejuízos há 25 anos ao Incra. "Ela é deficitária e não consegue pagar seus encargos. O orçamento da União sempre destinou recursos para pagar a usina, mas como ela não dá lucro a cada ano nós enfrentamos uma situação como a de hoje."

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