Canal passa finalmente ao controle do Panamá
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quinta-feira, 30 de dezembro de 1999
Por Eric Núñez 
Cidade do Panamá, 30 (AE-AP) - O Panamá receberá amanhã (31) o canal por parte dos Estados Unidos e assumirá o controle pleno de todo seu território pela primeira vez desde sua independência da Colômbia, em 1903.
A bandeira dos Estados Unidos será hasteada pela última vez ao meio dia no edifício administrativo do canal. Devido às celebrações de fim de ano, as autoridades panamenhas viram-se obrigadas a realizar duas cerimônias de transmissão: uma protocolar há duas semanas e a oficial de amanhã.
O secretário de Exército norte-americano Louis Caldera, máxima personalidade do governo dos Estados Unidos que assistirá à transmissão, trocará com a presidente Mireya Moscoso as notas de cessão.
Simultaneamente em todo o país serão realizados shows populares para celebrar o evento histórico, inclusive um do cantor de salsa Rubén Blades.
Aberto em 1914, o canal de 80 quilômetros de extensão foi obra do crescente poderio dos Estados Unidos. Situado no meio de seu território, o canal também representou uma espinha para os sentimentos nacionalistas no Panamá.
Os Estados Unidos reconheceram imediatamente o gesto das autoridades provincianas colombianas quando declararam sua independência em 1903. A separação foi pacífica.
Posteriormente, o Panamá cedeu aos Estados Unidos a perpetuidade, mediante tratado, a propriedade do canal e as regiões próximas. Washington estabeleceu neste território bases militares para a defesa da via.
Os norte-americanos sanearam as principais cidades, o inglês converteu-se em segundo idioma e o dólar passou a ser a moeda em circulação no país.
Mas essa presença produziu episódios amargos, incluindo frequentes manifestações de rua e a invasão armada de 1989 que depôs o homem forte Manuel Noriega para ser julgado nos Estados Unidos por narcotráfico.
As incessantes reclamações por soberania foram reunidas em tratados assinados em 1977 pelo então presidente norte-americano Jimmy Carter e o general golpista Omar Torrijos.
Os panamenhos integram hoje 97% da força de trabalho da via aquática.


