Brasília, 10 (AE) - O governo canadense quer abrir uma nova via de diálogo para resolver a disputa entre a Bombardier e a Embraer. O ministro das Relações Exteriores do Canadá, Lloyd Axworthy, que reuniu-se hoje com o chanceler Luiz Felipe Lampreia, em Brasília, disse que gostaria de ver o contencioso entre as duas empresas, pelo mercado de jatos comerciais leves, ser resolvido bilateralmente e não na Organização Mundial do Comércio (OMC).
"Estamos trabalhando amplamente para que isso aconteça, porque há um interesse mútuo nesse negócio e temos de colaborar para encontrar a solução, porque há outros competidores no mercado", disse o ministro canadense. Ele afirmou, porém, que caso os dois países não encontrem uma solução no âmbito bilateral, a disputa será levada a cabo na OMC. O ministro Lampreia, porém, disse que o assunto foi tratado genericamente porque o caso está sendo decidido tecnicamente na OMC.
No dia 20 de fevereiro a OMC terá de pronunciar-se sobre a nova consulta feita pelos dois países, em novembro, pedindo ao órgão que analise as mudanças que cada país ofereceu para diminuir os subsídios. Em novembro, a OMC concluiu que Brasil e Canadá oferecem subsídios a esse setor. Se não houver acordo, os dois países vão pedir abertura de panel, o que pode prolongar a disputa por dois anos ou mais.
Insatisfeitos com as medidas anunciadas, os dois países solicitaram uma nova consulta na OMC, dessa vez para julgar as novas normas com as quais os governos comprometeram-se. A disputa entre a Embraer e a Bombardier começou em 1996. Os canadenses alegam que a empresa brasileira recebeu subsídios da ordem de US$ 4,5 bilhões, desde 1996, por meio da equalização das taxas de juros do programa brasileiro de incentivo às exportações, o Proex. Esse programa permite ao governo financiar a diferença de juros praticados no mercado externo tomados pelo importador, para atenuar o risco Brasil.
A Embraer acusa a Bombardier de receber benefícios por meio de cinco programas de incentivo canadenses, que, de acordo com o Itamaraty, teriam concedido benefícios da ordem de US$ 250 milhões à Bombardier. O Brasil diminuiu de 3,8% para 2,5% a taxa de equalização do Proex e o governo canadense comprometeu-se a modificar dois programas de subsídios: TPC (Techonolgy Partnership Canada) e a Conta Canada. O primeiro financia pesquisa de desenvolvimento e o segundo permite que o governo financie operações de alto risco.
Compra do Jari - O ministro canadense afirmou que o governo não vai interferir na disputa entre as empresas canadenses Tembec e Orsa pela compra do projeto Jari, o megainvestimento para a produção de celulose feito no Amapá pelo falecido multimilionário norte-americano Daniel Keith Ludwig. "Não vamos interferir nisso", disse. "Claro que gostaríamos de ver uma empresa canandense nesse negócio, mas esse é um problema do setor e será definido pelo mercado", afirmou. A Tembec ofereceu US$ 150 milhões pelo projeto, mas o Grupo Orsa já assinou a compra do controle acionário do Jari, no mês passado, no valor de US$ 112 milhões.

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