Canadá não faz esforço por expulsão
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sexta-feira, 17 de abril de 1998
Agência Estado e Reuter 
Dida Sampaio/AE
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ApeloFamiliares dos sequestradores chilenos pedem sua libertação na embaixada brasileira em SantiagoO Canadá não vai fazer nenhum esforço para que o casal Christine Lamont e David Spencer, condenado a 28 anos pelo sequestro do empresário Abílio Diniz e preso em São Paulo, seja expulso do Brasil. Na única tentativa feita, há quatro anos, o governo brasileiro recusou. Se o Brasil resolvesse expulsá-los, a decisão seria tomada unicamente pelo presidente da República, não necessitando de aprovação do Poder Judiciário. Porém, segundo o ministro da Justiça, Renan Calheiros, essa medida representaria a impunidade para os nove sequestradores estrangeiros.
O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo Oscar de Castro, criticou, ontem, o acordo de transferência de presos para o Canadá. Segundo Castro, o acordo viola o artigo 1º da Constituição Federal, que diz que todos são iguais perante a lei. Para ele, a soberania nacional está sendo ferida, porque o governo brasileiro concederá tratamento diferenciado aos canadenses, em detrimento de outros presos brasileiros.
O governo canadense evita entrar na polêmica sobre a repercussão negativa que causou o anúncio da assinatura do acordo para a transferência do casal de sequestradores, firmado entre os dois governos na terça-feira. O Canadá reconhece, como fez o Supremo Tribunal Federal (STF), há dois anos, que o crime cometido foi comum.
Christine Lamont e David Spencer poderão manter a greve de fome até o dia 16 de maio, quando começa a valer o prazo para que eles requeiram sua transferência para o Canadá. Os diplomatas canadenses que acompanham regularmente o estado de saúde do casal ainda não os convenceu a desistir do protesto. Eles alegam que o fazem em solidariedade aos demais sequestradores, um brasileiro, cinco chilenos e dois argentinos.
Os dez sequestradores já perderam em média três quilos em mais de 100 horas de greve de fome. A constatação foi feita ontem pela equipe do médico Paulo César Sampaio, diretor do Departamento de Saúde da Penitenciária do Estado. O quadro clínico dos pacientes é estável, explicou Sampaio.
Familiares e amigos dos cinco sequestradores chilenos protestaram pacificamente, ontem, em frente à embaixada brasileira em Santiago, para exigir sua expulsão do país. Cardoso, em tuas mãos está a vida de meu filho, lia-se em um cartaz carregado por uma mulher. Um outro dizia: Liberdade para os chilenos presos no Brasil. O presidente Fernando Henrique Cardoso chegou ontem a Santiago para participar da Cúpula das Américas.
Os manifestantes leram um documento no qual denunciaram que os presos chilenos foram torturados. Denunciamos à opinião pública nacional e internacional que nossos filhos foram selvagemente torturados pelos serviços de segurança brasileiros, que foram submetidos a julgamentos arbitrários, recebendo condenações desproporcionais.


