Canadá deverá manter sequestradores presos
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domingo, 22 de novembro de 1998
Agência Folha 
Os dois sequestradores canadenses do empresário Abílio Diniz, David Spencer, 35 anos, e Christine anos Lamont, 40 anos, deverão ficar pelo menos dois meses na prisão em seu país até conseguirem liberdade condicional.
A informação é da assessoria de imprensa do Serviço de Correções canadense (espécie de administração penitenciária). Os dois foram transferidos e chegaram na manhã de ontem ao Canadá.
Eles deverão passar por testes de saúde e psicológicos e depois serão transferidos para penitenciárias próximas de suas famílias. O pai de Spencer, William Spencer, disse, por telefone, que eles seriam transferidos ainda ontem em um avião policial para o distrito de British Columbia (Costa Oeste do Canadá) e não poderiam ser vistos nem pela família.
O Serviço de Correções informou que os mais prováveis centros de recepção para onde os presos devem ser levados para fazer os testes são uma penitenciária feminina federal em Burnaby, em British Columbia, no caso de Lamont, e uma penitenciária em Matsqui, também em British Columbia, no caso de Spencer.
A primeira noite dos dois juntos após quase nove anos aconteceu em bancos e fileiras separados e com policiais canadenses sentados entre eles no vôo 101 da Canadian Airlines para Toronto.
Spencer e Lamont entraram no avião, às 21h40 de sexta-feira, em cadeiras de rodas e algemados. Os dois foram sentados em fileiras na parte de trás do avião (ele na frente dela), na classe econômica, com quatro policiais sentados ao lado. Eles só tiveram as algemas retiradas dez minutos após levantar vôo.
Ao serem abordados pela reportagem, um dos policiais informou que eles estavam proibidos de fazer comentários e que até mesmo os bancos traseiros do avião estavam reservados para que ninguém pudesse ficar por perto.
Durante a noite, os policiais se revezaram, em pé, fazendo vigília. Lamont conversou o tempo todo com o namorado Spencer pelo vão entre a poltrona e a janela do avião. Passou a mão nos cabelos dele durante a noite, trocou travesseiros com ele e deu muitas risadas, inclusive com policiais.
Nunca vi ninguém ficar tão feliz porque vai para uma prisão canadense, disse um dos passageiros, canadense, que preferiu não se identificar. Spencer estava sério. Só tocou em Cristine em uma das vezes em que levantaram para ir ao banheiro e para ajudá-la a descer as escadas do avião, ao chegar a Toronto.
Os dois estavam bem dispostos. A greve de fome, que já durava cinco dias, foi encerrada com frango e carne de porco no jantar e omelete com salsicha no café da manhã. Os dois foram retirados do avião depois que todos os passageiros já haviam saído e foram levados, algemados e separados, por dois veículos policiais.


