VANCOUVER, Canadá, 24 (AE-AP) - A caçada a suspeitos de envolvimento numa alegada tentativa do terrorismo internacional de contrabandear para os EUA material para fazer bombas ampliou-se hoje (24), depois que o Canadá emitiu uma ordem de prisão contra um possível parceiro de um argelino preso na semana passada no Estado de Washington.
A Real Polícia Montada Canadense anunciou que está procurando Abdelmajed Dahoumane, de 32 anos, por duas acusações criminais ligadas à posse ilegal de explosivos. Segundo a polícia, ele pode estar ligado ao argelino Ahmed Ressam, detido por autoridades fronteiriças americanas em Port Angeles com nitroglicerina e outros materiais que poderiam ser usados para fazer uma bomba capaz de destruir um edifício, segundo promotores dos EUA. Ressam é procurado pelas autoridades francesas sob a acusação de envolvimento num atentado a bomba em 1996 no metrô de Paris, que deixou 4 mortos e 91 feridos.
A Polícia Montada não informou se Dahoumane tem ficha criminal nem deu detalhes sobre o alegado relacionamento entre ele e Ressam, mas, segundo informações da imprensa, os dois homens passaram três semanas juntos num hotel de Vancouver antes que Ressam tentasse entrar nos Estados Unidos.
A ordem de prisão foi dada horas depois que especialistas da Polícia Montada, apoiados por cães farejadores, fizeram quinta-feira uma blitz num apartamento de Montreal pertencente a Dahoumane. Segundo o porta-voz policial Leo Monbourquette, não foram encontrados explosivos. O síndico do edifício, Marcelo Moreno, disse ter visto Dahoumane diante de uma mesquita de Montreal num dia entre os dias 13 e 16. Segundo Moreno, Dahoumane vivia no apartamento desde 1997.
A blitz de quinta-feira foi a mais recente de uma série feita pela polícia em Montreal esta semana. Os agentes já vasculharam um apartamento alugado por Ressam no centro sob nome falso, outro imóvel alugado por ele na zona leste, e um dúplex no norte.
O temor de que terroristas planejem lançar atentados contra alvos americanos no país e no exterior na virada do ano aumentou domingo, quando a canadense Lucia Garofalo foi detida junto com o argelino Bouabide Chamci numa travessia de fronteira para o Estado americano de Vermont. O carro e o celular de Lucia, segundo promotores americanos, estão em nome de Brahim Mahdi, suposto membro da Liga Islâmica Argelina, que, alegadamente, teria vínculos com o terror.
Contactado por jornalistas em sua casa de Montreal, Mahdi, de 34 anos, disse nunca ter ouvido falar desse grupo e negou ser parte de uma rede terrorista. O homem apontado por promotores americanos como líder da Liga Islâmica Argelina é Mourad Dhina. Contactado por telefone em Genebra, onde vive, Dhina reconheceu ter iniciado um grupo cultural com esse nome anos atrás, mas disse que ele já não existe e nunca teve nada a ver com o terrorismo. "Era uma organização suíça, bem conhecida das autoridades, e nunca teve nenhum problema", disse Dhina, um físico de 38 anos formado no Massachusets Institute of Technology.
Em Israel, uma bomba caseira explodiu hoje em Netanya, no norte do país, sem deixar feridos. A polícia suspeita ter sido um ataque para obstruir o processo de paz palestino-israelense.

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