Campos do Jordão tem sistema modelo para prevenção de incêndio em parque
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Júlio Ottoboni 
Campos do Jordão, SP, 03 (AE) - O Parque Estadual de Campos do Jordão detém os menores índices de destruição da flora por incêndio entre as reservas ambientais do País. O local passou em 1994 por oito grandes incêndios no período de estiagem
que queimaram 3,5% dos 83 quilômetros quadrados de cobertura vegetal existente. A partir desta experiência, foi criado um programa preventivo para aumentar o poder de fiscalização e criar uma maior consciência ecológica na comunidade. "Mantemos hoje a média anual de 0,35% de área atingida pelo fogo e sem prejuízo ambiental", comenta o diretor do parque, João Evangelista de Melo Neto.
O território da reserva florestal na Serra da Mantiqueira, no trecho paulista, equivale a um terço do município de Campos do Jordão e está entre os mais visitados de São Paulo. A vegetação formada por espécies tropicais de altitude, como pinheiros e outras árvores que desfolham no inverno, aumentam os riscos da propagação rápida do fogo.
Antes da entrada em funcionamento do plano preventivo, o horto era castigado por grandes incêndios. Alguns deles chegaram a atingir a destruir instalações do parque, como escritórios e residências de funcionários.
Atualmente, três equipes com cinco vigilantes cada vasculham as fronteiras do parque. O monitoramento permanente é feito nas divisas com Minas Gerais e nos municipios paulistas de Pindamonhanga e Guaratinguetá. Os vigias utilizam jeeps e motocicletas para cobrir as áreas estabelecidas no plano e de alto potencial de incêndio, pois são cortadas por estradas e avizinhadas por fazendas. Também é feito um controle rígido na portaria da reserva, com fiscalização de carros e orientação dos frequentadores para evitar qualquer tipo de conduta que desencadeie algum foco de fogo.
Segundo Melo Neto, a grande maioria dos incêndios são provocados propositalmente. No caso do parque de Campos do Jordão, os ateadores utilizam as estradas para iniciar as fogueiras, que geralmente começam em áreas de campo. Outra parte vem dos fazendeiros, que limpam suas áreas utilizando a queimada e acabam perdendo o controle sobre as chamas. A alta combustão do material orgânico seco existente na reserva cria imensas linhas de chamas e o relevo acidentado dificulta a ação de combate a propagação do fogo.
Os esquema montado para evitar e debelar incêndios na reserva ambiental tem garantido a sobrevivência de várias espécies nativas da Serra da Mantiqueira, tanto da fauna como da flora. As regiões atingidas hoje pelo fogo são pequenas faixas ao longo das duas estradas que cortam o parque e são consideradas degradadas em aspectos ambientais. A qualquer foco de incêndio detectado, os vigias do parque contatam imediatamente a defesa civil e a guarda municipal para auxiliar nos trabalhos. "O nível de consciência é tão grande que em qualquer incêndio vem pessoas de toda região nos ajudar", comenta o diretor.


