segundo a SAR Por Alceu Luís Castilho
São Paulo, 29 (AE) - O número de áreas de risco em São Paulo varia de 953 até 1.270, conforme dados da Secretaria das Administrações Regionais (SAR). São locais, em especial favelas, com número variável de casas e famílias, mas algo em comum: risco de deslizamento, inundação ou as duas coisas juntas. O bairro com maior risco de acidentes é justamente o Campo Limpo, onde ocorreu a tragédia de ontem. Pelo levantamento feito em 1997 pela SAR, 35,78% das áreas de risco se encontram naquela região. Só ali são 341 conjuntos de barracos prestes a desabar.
A Prefeitura ofereceu números conflitantes a respeito das áreas de risco. Oficialmente, a SAR divulgou que são 943 áreas, de acordo com levantamento da Coordenadoria de Urgências Urbanas. Dados enviados por outro setor da SAR à Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano, porém, dão conta de que o número de áreas de risco já chega a 1.270, cerca de um terço a mais que a quantidade de três anos atrás.
A SAR, a quem cabe a fiscalização das áreas de risco e a coordenação da remoção, não informou quantas famílias moram nesses locais, com risco de vida. A Sehab, porém, conseguiu com a própria SAR uma informação que permite uma estimativa: dos 1.270 locais com maior risco para os paulistanos, há 100 particularmente mais perigosos. Nessas 100 áreas vivem 4.500 famílias.
Adotando-se a média adotada pela Sehab, de cinco pessoas por casa, teríamos 22.500 pessoas nessas 100 áreas. Estendendo-se a mesma média de famílias para as 953 ou 1.270 áreas de risco, o número de paulistanos com risco iminente de vida, por causa das condições habitacionais precárias, varia de 214.000 (aproximadamente a população do Guarujá, no litoral) a 285.000 (quase a população de Jundiaí e Piracicaba, no interior). Remoção - Em caso de situação de risco, a SAR - por meio de cada administração regional - deve notificar as famílias e, se necessário chamar a polícia para garantir a remoção. O destino dos desabrigados depende da Secretaria de Assistência Social (SAS), responsável por arrumar alojamentos, ou de uma verba de emergência controlada pela Secretaria de Habitação.
Essa verba é de R$ 2.100 por família, segundo a Sehab. Segundo o ex-coordenador de Desenvolvimento da secretaria, Attilio Piraíno, houve casos de chefes de família que pegaram o dinheiro e deixaram a família ao relento. Piraíno deixou a secretaria em dezembro, por discordar da política habitacional da Prefeitura. Ele contou que as regionais estavam incumbidas desde setembro da remoção. Protesto - A vereadora Aldaíza Sposati (PT) enviou hoje ofícios ao administrador regional do Campo Limpo e ao Ministério Público Estadual, protestando contra a falta de intervenções preventivas nas áreas de risco. Segundo a líder do PT na Câmara, dos R$ 5 milhões previstos no Orçamento de 1999 para as áreas de risco, só foram gastos R$ 301.000. Em 2000, foram orçados R$ 6 milhões e, segundo a vereadora, empenhados até agora R$ 673 mil.