Campinas, SP, 11 (AE) - A prefeitura de Campinas vai punir cinco das seis empresas de ônibus na cidade, em razão da greve dos motoristas e cobradores, que entrou hoje no quinto dia. O secretário municipal de Transportes, Amando Telles Coelho informou, por meio de sua assessoria, que as permissionárias receberão multas diárias, por não cumprirem o dissídio coletivo da categoria, que obriga as empresas a efetuar o pagamento de benefícios trabalhistas e conceder reajuste salarial de 3,88%. A secretaria de Transportes ainda não definiu o valor da multa a ser aplicada contra as empresas.
Segundo o secretário, o descumprimento da medida judicial por parte das permissionárias motivou a greve, que está deixando cerca de 350 mil pessoas sem transporte todos os dias, e já causou um prejuízo de pelo menos R$ 3 milhões no comércio local. O dissídio da categoria foi julgado há uma semana no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
O presidente da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), Armando Corrêa Damasceno
disse que "as punições são um direito da prefeitura". Ele ressaltou, porém, que as permissionárias não têm recursos financeiros para cumprir a determinação judicial. Segundo ele, o pagamento dos vales-refeição implicaria na demissão de pelo menos mil dos quatro mil cobradores e motoristas. Damasceno informou que as empresas pretendem recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, para tentar anular a sentença do TRT.
As permissionárias esperam que o Tribunal adote a mesma medida proferida em relação às permissionárias da Capital, que tiveram seu dissídio anulado. No caso de Campinas, o dissídio obrigou as empresas a manter o pagamento dos vales-refeição, cestas básicas, convênios médicos, além de reajustar os salários em 3,88%.
Ontem (10), empresários e trabalhadores participaram de uma reunião de conciliação no TRT, mas não houve acordo. O julgamento da abusividade da greve foi marcado para a próxima quarta-feira. Até lá, a população corre o risco de permanecer sem transporte coletivo, já que empresários e trabalhadores continuam irredutíveis em suas posições. "Só voltamos ao trabalho depois de recebermos nossos direitos", afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Rodoviário de Campinas, Mário de Oliveira Santana.

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