Campinas anuncia reforma administrativa
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 21 (AE) - O prefeito de Campinas, Chico Amaral (PPB), anunciou hoje uma reforma administrativa para tentar superar a crise financeira na administração municipal. Duas secretarias municipais serão extintas e quatro serão fundidas a outras pastas. As medidas também incluem demissões de funcionários, mas Amaral disse que a lista de nomes só deverá ser divulgada no final da próxima semana.
"Tomei essa decisão em razão da falta de perspectivas para equacionar nossas dificuldades financeiras", disse o prefeito. O objetivo, segundo Amaral, é conseguir uma economia de R$ 9 milhões por mês. Numa primeira etapa da reforma, porém, essa redução deverá ficar em R$ 1 milhão. As despesas com a folha de salários, que atualmente chegam a R$ 28 milhões, deverão ser reduzidas em 30%.
A primeira etapa da reforma será realizada a partir de segunda-feira, com a extinção das secretarias Especial e de Chefia de Gabinete. Segundo Amaral, as duas pastas não produziam efeitos práticos para a administração. Também ocorrerão as fusões da secretaria de Esportes com Cultura e Turismo; Cidadania com Negócios Jurídicos; Meio Ambiente com Planejamento; e Operações com Obras.
Embora não tenha divulgado números, Amaral disse que a maior parte das demissões atingirá funcionários comissionados. Atualmente, dos 15 mil servidores municipais, cerca de 400 estão nessa situação. O prefeito garantiu que não cederá a pressões políticas para manter comissionados no cargo. "Há amigos meus que também serão desligados", disse.
Amaral disse que começará os cortes pelos servidores que já se aposentaram em outras funções. "Esses já têm de onde tirar sua remuneração", explicou. Segundo ele, serão poupados aqueles cujos salários estejam abaixo de R$ 1 mil por mês. "Queremos resguardar aqueles que tem uma remuneração pequena", explicou.
A segunda etapa da reforma cortará benefícios incorporados aos salários. Segundo Amaral, o excesso de benefícios pagos é a principal causa do déficit da prefeitura. "Há funcionários que agregam benefícios a cada vez que mudam de secretaria", disse. "Muitos recebem tantos benefícios que chegam a ganhar mais que o prefeito", completou.
A posição do prefeito reforça o impasse com os servidores da rede de saúde, em greve desde quarta-feira. A categoria reivindica o pagamento do adicional por insalubridade e periculosidade, que a prefeitura ameaçou cortar no início do mês. Uma liminar concedida pela Justiça obrigou a administração municipal a manter os benefícios, mas os funcionários ainda não receberam o pagamento. "Só vamos pagar quando a prefeitura tiver dinheiro", afirmou o prefeito. Segundo ele, no momento, isso não é possível.


