Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Os cerca de 1,2 mil campesinos (sem-terra paraguios) mantiveram ontem o cerco à prefeitura de San Alberto, exigindo a renúncia do prefeito, o brasiguaio Romildo Maia de Souza, acusado de corrupção. Na sexta-feira, a Justiça paraguaia concedeu ordem para a retirada dos campesinos da prefeitura e da principal praça da cidade, onde eles estão acampados há 21 dias.
Até o final da tarde de ontem, a ordem não havia sido cumprida. O prefeito disse à Folha, por telefone, que aguarda para hoje o envio de tropas da Polícia Nacional paraguaia. O comando da Polícia Nacional em Ciudad del Este, capital do Departamento (o equivalente a Estado) de Alto Paraná, onde está localizada San Alberto, não confirmou a informação. A ordem judicial ainda nem havia chegado ao comando. Um oficial ouvido pela Folha previu que um eventual despejo pela Polícia Nacional demoraria pelo menos uma semana.
Dos 15 mil habitantes de San Alberto, 80% são brasileiros ou descendentes. Nos últimos dois meses, pelo menos 35 famílias de brasiguaios foram expulsas por campesinos na região de fronteira.

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