Campeões de reclamações nos atendimentos do Idec
Londrina - Planos de saúde, serviços financeiros, produtos e telecomunicações foram os setores que mais geraram pedidos de orientação ao Idec por parte de seus associados em 2012, assim como nos últimos anos.
Com exceção dos planos de saúde, esses setores também figuram entre os que mais geraram demandas aos Procons do país, como mostra o relatório do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec) - que reúne dados de 441 órgãos -, divulgado em janeiro. "Os planos de saúde não aparecem no ranking do Sindec porque não são todos os Procons que atendem (e contabilizam) casos de contratos coletivos, que atualmente, são a maioria", explica Karina Alfano, gerente de relacionamento do Instituto.
Juntos, os quatro setores representam 59,1% das orientações fornecidas pelo Idec, no ano passado, por telefone, e-mail e pessoalmente. Os demais temas presentes no ranking foram denominados "outros". Dentre eles, destacam-se serviços como energia elétrica e ensino, imóveis, lazer, veículos e comércio eletrônico.
O administrador Fabrício Pires Bianchi, de Londrina, poderia integrar as estatísticas do Idec. Ele sentiu-se lesado por uma operadora de TV à cabo e, por não conseguir resolver o problema, acabou entrando com ação no juizado especial.
Bianchi recorda que contratou um plano para ter acesso à internet, telefone e TV a cabo por um valor promocional de R$ 29,90. Três meses depois, sabendo que a promoção iria encerrar e que o valor seria aumentado para R$ 69,90, entrou em contato com a operadora e pediu a migração para um pacote com valor fixo, no valor de R$ 39,90. A mudança foi feita, mas ele continuou sendo cobrado pelo pacote anterior com valor ajustado para R$ 69,90.
"Liguei e pedi para regularizarem. Eles fizeram, mas no mês seguinte a cobrança veio errada novamente", reclama. O problema perdurou por meses. O administrador chegou a abrir dois protocolos na Anatel, mas toda vez que a empresa entrava em contato para verificar as possibilidades de solução da fatura, era dada a baixa de forma unilateral no processo. "Não consegui me entender com a ouvidoria da operadora de forma justa, apenas restando a opção de ir à Justiça lutar pelos meus direitos de consumidor", conta.
Depois de enfrentar o processo, com direito à solicitação de gravações do atendimento telefônico para confirmar que o contrato era de um plano fixo, o juiz estabeleceu uma indenização por danos morais e o direito de continuar com o plano de assinatura pelos três serviços pelo valor fixo, reajustado apenas por índices de medição da inflação.
Apesar do resultado do julgamento, ele acredita que a empresa continua mantendo o mesmo comportamento com outros clientes. "É mais barato para a prestadora de serviços lidar com as reclamações individualmente, porque são poucas as pessoas que ligam para reclamar do problema e que levam esses casos à Justiça", considera.
A decisão judicial, segundo ele, teve mais benefícios morais do que financeiros. "Senti que fui enganado e que a Justiça foi feita."(C.A. com Reportagem Local)





