Campeões da balança
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Fábio Galão<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - O Sul é a região do Brasil com maior proporção de adolescentes e adultos com excesso de peso e obesidade. Também está entre as regiões brasileiras com maior porcentagem de crianças com esses problemas. Essas conclusões constam dos resultados da seção de Antropometria e Estado Nutricional da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, realizada em parceria entre o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Ministério da Saúde. Os dados da seção foram divulgados ontem pelo IBGE.
De acordo com o levantamento, no período pesquisado, 22% das pessoas do sexo feminino com idade entre 10 e 19 anos e 27,2% das pessoas do sexo masculino na mesma faixa etária na região Sul estavam com excesso de peso. Foram os maiores índices registrados nas cinco regiões brasileiras. Entre adultos, mais da metade das mulheres (51,6%) e dos homens (56,8%) residentes na região Sul apresentaram sobrepeso, novamente, os índices mais altos do Brasil.
Apenas entre as crianças o Sul não foi o primeiro no ranking do excesso de peso. De acordo com o IBGE, entre pessoas com idade entre cinco e nove anos, 35,5% das meninas e 36,3% dos meninos na região estavam com sobrepeso. Entre meninas, o Sul foi o segundo colocado (atrás apenas do Sudeste, com índice de 37,9%), e entre os meninos, o terceiro (Sudeste em primeiro, com 39,7%, e o Centro-Oeste em segundo, com 37,9%).
O Sul também lidera nos índices de obesidade de adolescentes e adultos. Na região, a doença atinge 7,7% dos adolescentes do sexo masculino e 5,4% do feminino, e 15,9% dos homens e 19,6% das mulheres. No grupo das pessoas entre cinco e nove anos de idade, o Sul é o terceiro entre os meninos (16,7% de obesos, atrás apenas do Sudeste e do Centro-Oeste) e o primeiro entre as meninas (16,2%).
Os dados da incidência de excesso de peso nas últimas décadas mostram que os quilos a mais são uma tendência crescente em todas as faixas etárias e em todas as regiões brasileiras.
Helena Maria Simonard Loureiro, diretora do curso de Gastronomia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), aponta a condição sócio-econômica da região como uma explicação. ''Em geral, regiões mais desenvolvidas têm mais acesso à alimentação por parte de uma parcela maior da população'', diz a professora. Ela alerta, porém, que já há muito tempo o brasileiro, independente da região, vem comendo mal, dando prioridade para alimentos menos saudáveis, cada vez mais calóricos e gordurosos. Outros problemas apontados pela professora são a perda de horários fixos para refeições e o sedentarismo.


