Campelo continua negando acusações de tortura
Brasília, 17 (AE) - O delegado-geral da Polícia Federal, João Batista Campelo, continua negando as denúncias de que tenha se envolvido em práticas de tortura, no depoimento que faz neste momento na sessão conjunta das comissões de Direitos Humanos da Câmara e de Constituição e Justiça do Senado. Campelo disse que "nunca se viu instrumento de suplício nas delegacias em que trabalhei" e que desconhece tortura praticada por um policial citado em depoimentos feitos na época por vítimas de tortura, denominado soldado Nerino ou Neri.
Segundo Campelo, esse policial jamais esteve sob seu comando específico. Com relação a sua participação na repressão política, ele afirmou que é necessário olhar o momento histórico em que os fatos ocorreram. "Estávamos sob a égide de uma lei de segurança muito forte, restritiva da liberdade, mas legal e eu cumpria as determinações que os códigos exigiam", afirmou Campelo. Ele disse ainda que se não providenciasse a abertura de inquérito diante das denúncias que recebia estaria sendo omisso. Mas afirmou que sempre seguiu a lei "sem resvalar para procedimentos extra-legais.
Ao ser questionado pelo senador Eduardo Suplicy sobre sua convivência com o padre José Antônio de Magalhães Monteiro, no Seminário Santo Antônio, Campelo confirmou que o castigo físico era uma modalidade da época, mas disse que jamais castigou o padre, que é hoje o seu principal acusador sobre práticas de tortura na PF.O depoimento de Campelo continua sendo marcado pelo confronto entre os parlamentares da oposiçao e da base governista. Uns procurando reforçar as denúncias de que Campelo foi torturador e outros tentando protegê-lo.





