Campeã do Grupo Especial das escolas do Rio deve sair do desfile de hoje6/Mar, 10:57 Rio, 6 (AE) - A abertura do desfile do Grupo Especial das escolas de samba do Rio, no último carnaval do milênio, não empolgou o público na Marquês de Sapucaí. O luxo das fantasias e adereços e o grande número de lindas mulheres de topless não foram suficientes para levantar a platéia, num indício de que a campeã de 2000 sairá do desfile do segundo dia. A festa começou com atraso de 25 minutos, em parte por causa da longa interpretação do Hino Nacional pelo cantor Elymar Santos. As escolas cariocas fazem este ano uma homenagem aos 500 anos do Brasil. Os espectadores somente se manifestaram com mais vibração para receber a Mocidade Independente de Padre Miguel. A escola da zona oeste do Rio foi a penúltima a entrar no sambódromo e realmente a melhor a se apresentar, com um enredo ousado e bem conduzido. Mesmo assim, dificilmente lutará pelo título, como reconheceu o próprio carnavalesco da escola, Renato Lage. Ele criticou o samba da Mocidade - na verdade, muito ruim mesmo, cuja última parte parece mais um cântico religioso, de extremo mau gosto. O destaque da Mocidade foi o carro alegórico nave-mãe, que mostrou um show de malabaristas circenses. O técnico do Corinthians, Oswaldo Oliveira, deu a sua contribuição para a Mocidade e sambou na pista durante todo o desfile da escola. "Já estou com saudades do último título e quero outro", brincou, referindo-se à conquista recente do Timão do 1º Campeonato Mundial de Clubes. A Portela, outra escola tradicional do carnaval carioca, fechou o desfile já ao amanhecer e também não deve disputar a primeira posição. O carnavalesco José Felix aproveitou a história de Getúlio Vargas para falar na questão do emprego e encheu a pista com soldados, trabalhadores presos, protestos contra a ditadura, petroleiros e, é claro, gaúchos. Todas as cores e gamas do arco-íris salpicavam o azul e branco da escola de Madureira. Um dos grandes momentos da noite coube ao gari Edilson Souza Nunes. Nos intervalos do desfile entre as escolas, ele conduzia sua vassoura como se fosse o mastro de uma bandeira e dava aulas de samba, como um exímio passista. Foi o mais aplaudido no sambódromo. Excluindo Portela e Mocidade, as cinco outras escolas que passaram pela Sapucaí alternaram bons e maus momentos. Na Grande Rio, de Caxias, na Baixada Fluminense, o destaque foi o ator Thiago Lacerda, da novela Terra Nostra. Mulheres e muitos homens gritavam o nome do ator, que, ao lado de sua namorada Letícia, abriu caminho para a escola contar a história do Carnaval no Brasil. "É uma emoção maravilhosa", afirmou Thiago que desfilou pela primeira vez em uma escola de samba. Apesar da empolgação e da beleza das fantasias, a escola teve problemas para mostrar a evolução das festas no Brasil. Logo no início do desfile, o juizado de menores queria impedir a entrada do carro abre-alas, por trazer duas crianças como destaque a uma altura de três metros, acima do permitido pela Liga. Foi preciso reduzir o tamanho do carro, que tinha três andares. O incidente atrasou a entrada da escola na avenida e atrapalhou parte da evolução dos componentes. A Tradição, dissidência da Portela, teve problemas nos três últimos carros, porque os destaques não conseguiram subir nem com a ajuda do guindaste e a escola teve buracos do meio do desfile para o fim. A Caprichosos de Pilares, da zona norte do Rio, usou de irreverência para contar as maiores crises políticas deste século no País no enredo "Brasil, teu Espírito é Santo". Conhecida por seus temas polêmicos, a escola levou para avenida fantasias com críticas à repressão militar. A Porto da Pedra, que abriu o desfile, ainda no domingo, com o enredo "Ordem, Progresso, Amor e Folia no Milênio de Fantasia" - uma visão crítica da Proclamação da República, torce para se manter no grupo de elite das escolas de samba. A modelo ¶ngela Bismarchi, de 27 anos, destaque do último carro alegórico da Porto da Pedra, foi surpreendida por uma determinação da escola, no fim do desfile: ainda em cima do carro, ela teve de lavar o corpo, onde havia uma pintura da bandeira nacional, para evitar um eventual flagrante policial. Bismarchi, de 1,81 metro, desfilou nua, apenas com um tapa-sexo e a pintura na barriga. Antes de descer, ainda vestiu uma camisa da Porto da Pedra. A Vila Isabel também teve contratempos que podem lhe render a perda de pontos. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira só chegou na avenida 20 minutos depois do início do desfile e as fantasias da comissão de frente também atrasaram.