Campanha vai esclarecer usuários sobre genéricos; entidade processa Abifarma
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terça-feira, 05 de outubro de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 06 (AE) - O Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF), o Instituto de Defesa do Usuário de Medicamentos e a Federação Nacional dos Médicos lançaram hoje, em Curitiba, uma campanha para ampliar a discussão sobre os medicamentos genéricos, conhecidos pelo nome do princípio ativo. "Marcas de medicamentos diferentes, com mesma substância, podem ser prescritas dando maior opção ao usuário", diz o presidente do conselho, Antônio Barbosa da Silva. Com essa medida, é possível economia em torno de 50% para o consumidor, explica.
Durante o lançamento da campanha, Silva anunciou que a entidade está movendo uma ação contra a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) por propaganda enganosa. O conselho já entrou com ações contra a associação e laboratórios farmacêuticos por formação de cartel e crime contra a economia popular. "Só temos os meios legais e temos de confiar na Justiça para restabelecer a democracia e preservar os direitos individuais", disse. Propaganda enganosa - As entidades que lideram a campanha afirmam que a Abifarma está agindo de forma "irresponsável" ao veicular, em revistas ou utilizando-se de apresentadores de televisão, informações que dão a entender ao consumidor que quem opta por remédio genérico corre o risco de comprar medicamento falso. Mercado - Segundo o consultor de marketing e mercado farmacêutico, Marcos Ferreira, o que está havendo é uma "guerra de mercado". De acordo com Ferreira, as multinacionais, representadas pela Abifarma, detinham 97% do mercado brasileiro até 1998. No primeiro semestre deste ano, os genéricos ampliaram sua participação de 3% para 7%. "Houve um crescimento de 4% em um mercado de US$ 12 bilhões", diz.
Ele afirma que desde 1993 já foram registrados vários medicamentos genéricos no Ministério da Saúde, que continuam no mercado. Ainda de acordo com Ferreira, nos Estados Unidos, os genéricos têm 70% do mercado e, na Europa, o percentual está em 50%. "Em cinco anos os genéricos vão dominar 20% do mercado brasileiro", aposta. "A reação das multinacionais será cada vez mais intensa, embora não devesse haver confronto entre medicamentos de marca e genérico, mas apenas uma alternativa de mercado". Campanha - De acordo com o presidente do Conselho de Farmácia, hoje o médico é muito respeitado pelo paciente, "mas ele precisa ter responsabilidade social". Ele aconselha os usuários a pedirem a seus médicos que indiquem mais de uma alternativa de marca, além do princípio ativo. "O médico que indica só uma marca quando tem 50 no mercado é, no mínimo, suspeito", afirmou.
A Lei dos Genéricos, que deve entrar em vigor em fevereiro, exige que todo medicamento deverá trazer na embalagem o nome do princípio ativo. A lei determina, também, que os genéricos passem por testes de bioequivalência e biodisponibilidade, que mostrarão suas qualidades. Há um prazo de quatro meses para esses testes.


