Uma campanha quer recolher mais de 1 milhão de assinaturas pedindo a aprovação de um projeto de lei que dispõe sobre a utilização e a proteção do Patrimônio Nacional da Mata Atlântica e da Serra do Mar. O lançamento marca o Dia Nacional da Mata Atlântica, que é comemorado hoje.
O número de assinaturas a serem coletadas pela campanha ‘‘Mata Atlântica - Desmatamento Zero’’ representa cerca de 3% da população que vive na principais cidades que ficam na área da mata.
As 195 entidades ambientalistas de 17 Estados brasileiros que fazem parte da Rede de Organizações Não-Governamentais (ONGs) da Mata Atlântica (RMA), começam a recolher hoje as assinaturas. A entrega está prevista para o dia 21 de setembro, data em que o projeto de lei 285/99, de autoria do deputado Jaques Wagner (PT-BA), deve ser votado no Congresso Nacional.
O projeto está em tramitação desde 1992 na Câmara dos Deputados e já foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente e Defesa do Consumidor e Minorias. Para os ambientalistas, é importante a existência de uma lei específica para a proteção da Mata Atlântica para reforçar os mecanismos de fiscalização existentes.
Um atlas lançado no final de abril pela Fundação SOS Mata Atlântica traçou um diagnóstico do desmatamento no Paraná. E mostrou que o Estado tem motivos para se preocupar com a preservação da Mata Atlântica.
O Paraná foi considerado o campeão no desmatamento da mata. Só entre os anos de 1995 e 2000, 60.146 hectares de floresta nativa foram desmatados no Estado. A cobertura florestal natural hoje corresponde a apenas 7,98% (1.594.298 hectares) do território paranaense. Cinco anos atrás, a floresta correspondia a 1.654.444 hectares, representando 8,28% da área do Paraná.
Do total que foi desmatado em cinco anos no Estado, 16.086 hectares representam um único fragmento de remanescentes florestais suprimidos, a maior extensão contínua desflorestada na Mata Atlântica desde o início do monitoramento. De acordo com o diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, esse desmatamento foi provocado pela reforma agrária feita no município de Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a Oeste de Guarapuava). Essa área representa 27% do total de desmatamentos ocorridos nos últimos cinco anos.
Além de Rio Bonito, os municípios que mais perderam remanescentes florestais no período de 1995 a 2000 foram Coronoel Domingos Soares (4.002 hectares), Bituruna (2.838 ha), Guarapuava (2.697 ha), Nova Laranjeiras (1.813 ha), Mangueirinha (1.732 ha), Palmas (1.309 ha), Clevelândia (1.249 ha) e Candói (1.904 ha). De acordo com Montovani, há um grande número de agropecuaristas que tem ampliado as propriedades rurais com planos de manejo nesses municípios.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) contestou as informações contidas no atlas. Conforme garantiu o instituto, o Paraná tem cerca de 2.400.000 hectares de remanescentes florestais, uma diferença de 890 mil hectares entre os dados do Estado e os divulgados pelo atlas.

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