Rio- Nos últimos dez anos foram registrados 129.495 casos de negligência e violência física, sexual, psicológica e fatal contra crianças e adolescentes. Dados como esses, coletados em delegacias e varas da infância e juventude de 182 municípios de 25 Estados pelo Laboratório de Estudos da Criança da Universidade de São Paulo (Lacri/USP), reuniram dez organizações em torno do Programa pela Erradicação do Castigo Físico e Humilhante contra a Criança e o Adolescente no Brasil. Ontem a apresentadora Xuxa Meneghel anunciou sua adesão à campanha.
A idéia é eliminar o castigo físico e humilhante como forma de prevenir contra outras modalidades de violência. ''A violência é construção da sociedade. Ao bater numa criança, ensina-se que o mais forte se impõe pela força e ela vai reproduzir esse comportamento. Torna-se um jogo de poder'', diz Márcio Schiavo, diretor-presidente da Comunicarte, uma das organizações que aderiram ao programa.
Schiavo explica que a campanha não propõe que as crianças sejam criadas sem limites ou que não possam ser contrariadas. ''É preciso encontrar uma forma de corrigi-las que não seja pela violência. Pode-se cortar o que ela gosta de fazer para que compreenda que está sendo punida pelo erro cometido ou deixando-a sozinha para refletir sobre o que fez'', enumera.
O ''Programa pela Erradicação do Castigo Físico e Humilhante'' tem apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e já recebeu adesão de outros 15 países. Uma campanha publicitária mundial será lançada na primeira quinzena de agosto. ''A campanha ainda está em desenvolvimento, mas estamos trabalhando com slogans como ''quem ama não bate'' e ''a nossa paz é a gente quem faz'''.
As organizações que aderiram ao programa são: Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), Fórum Nacional de Direitos da Criança, Frente Parlamentar pelos Direitos das Crianças e Adolescentes, Fundação Xuxa Meneghel, Fundação Abrinq, Genera Inteligência Social, Instituto Promundo, Projeto Proteger e Save The Children Suécia.

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